O Pantanal sul-mato-grossense registrou expansão de 770,7% na área consumida pelo fogo entre 1º de janeiro e 15 de julho de 2026, em comparação com o mesmo intervalo de 2025. Levantamento do Informativo de Monitoramento de Incêndios Florestais do Estado de Mato Grosso do Sul, elaborado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) em conjunto com a Assessoria Bombeiro (Asbom), aponta que 58.878 hectares do bioma foram atingidos neste ano, ante 6.762 hectares no período anterior.
O aumento das queimadas também foi acompanhado pelo crescimento dos focos de calor. No Pantanal, os registros passaram de 69 para 149 na comparação entre os dois semestres analisados, variação positiva de 115,9%. Esses pontos, identificados por satélites, servem como indicativo da presença de chamas ou de altas temperaturas capazes de iniciar incêndios, revelando intensificação da atividade ao longo de 2026.
Enquanto o Pantanal enfrentou avanço expressivo, o Cerrado sul-mato-grossense apresentou redução de 44,5% na extensão queimada. Segundo o boletim, a área afetada caiu de 24.783 hectares, em 2025, para 14.615 hectares neste ano. O número de focos de calor no bioma também recuou: de 578 para 321, diferença de 44,5%, sinalizando comportamento oposto ao observado no Pantanal.
Na Mata Atlântica de Mato Grosso do Sul, o relatório indica decréscimo de 12,7% na área incendiada entre os períodos analisados. O documento aponta ainda redução de 44,7% nos focos de calor, corroborando a tendência de queda também constatada no Cerrado. Apesar dessas diminuições, as autoridades mantêm atenção às condições climáticas, que podem favorecer novos eventos de fogo nos meses seguintes.
Para enfrentar os incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul mobilizou 402 militares em ações de prevenção, preparação e combate desde o início de 2026. No intervalo avaliado, a corporação atendeu 1.170 ocorrências de incêndios em vegetação, quantitativo 16,7% inferior às 1.405 registradas de janeiro a 15 de julho de 2025. O dado sugere redução na demanda operacional, embora o território pantaneiro apresente aumento significativo na área atingida.
O Informativo de Monitoramento, divulgado periodicamente, reúne informações do Cemtec, da Asbom, do Corpo de Bombeiros Militar, do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A análise conjunta desses órgãos possibilita acompanhar, em tempo quase real, a evolução das queimadas e orientar a alocação de recursos humanos e materiais no combate aos focos ativos.
Entre os fatores considerados pelas equipes técnicas estão condições meteorológicas, como regime de chuvas, temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento, que influenciam diretamente o comportamento do fogo. O período de seca, típico do primeiro semestre na região Centro-Oeste, costuma elevar o risco de incêndios, embora a magnitude observada no Pantanal em 2026 tenha superado os índices de 2025.

Imagem: Divulgação
O Pantanal, por sua vegetação característica e pela presença de áreas alagadas que se alternam entre cheias e secas, apresenta dinâmica particular em relação às queimadas. Durante a estiagem, a matéria orgânica acumulada torna-se combustível abundante, aumentando a velocidade de propagação das chamas. Esse contexto intensifica a necessidade de monitoramento constante, sobretudo em anos de variação climática mais severa.
No Cerrado, a retração na área queimada pode estar relacionada a condições climáticas pontuais ou a ações de prevenção, como aceiros preventivos, campanhas educativas e aperfeiçoamento das estratégias de resposta rápida. O mesmo raciocínio vale para a Mata Atlântica, onde a redução nos indicadores sugere que medidas de controle tiveram, até o momento, maior eficácia.
Apesar das diferenças entre os biomas, o relatório reforça a importância de manter equipes treinadas, ampliar o uso de tecnologias de detecção remota e fortalecer a integração entre órgãos estaduais e federais. Esses elementos são considerados essenciais para reduzir danos ambientais, proteger comunidades ribeirinhas e preservar a biodiversidade do estado.
O próximo boletim do Cemtec e da Asbom deve atualizar os números após o encerramento do período crítico da seca. Até lá, a recomendação das autoridades é redobrar a atenção a comportamentos de risco, como uso inadequado de fogo em atividades agropecuárias, descartes de resíduos em áreas abertas e queimadas para limpeza de pastagens, práticas que permanecem entre as principais causas de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul.








