A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu em Rondonópolis (MT) o quinto investigado pelo assassinato de mãe e filho ocorrido em Paranaíba, no leste sul-matogrossense. O detido, de 31 anos, é apontado como responsável por dar suporte logístico aos autores dos disparos, conduzindo o grupo de Mato Grosso até o local do crime e assegurando o retorno dos executores após a ação.
Segundo a investigação, o suspeito manteve contato direto com os demais integrantes da quadrilha antes, durante e depois do ataque. Ele teria providenciado o veículo utilizado na viagem, traçado a rota de entrada e saída do município e monitorado a movimentação policial para evitar a abordagem dos atiradores. A ordem para o duplo homicídio, de acordo com o inquérito, partiu de integrantes de uma facção criminosa com atuação interestadual.
A captura foi realizada após vários dias de vigilância. Equipes da Delegacia Regional de Paranaíba, da Delegacia de Três Lagoas e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Defurv) mantiveram o paradeiro do suspeito sob observação até confirmar que ele permanecia em Rondonópolis. Com base nessas informações, a Justiça autorizou a prisão preventiva, cumprida com apoio operacional do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Sequestros (Garras).
O crime que motivou a operação ocorreu na madrugada de 19 de junho de 2026, no bairro de Lourdes, em Paranaíba. Na ocasião, os executores invadiram a residência, dispararam diversas vezes contra as vítimas e fugiram sem levar pertences. A mulher e o filho morreram ainda no interior do imóvel. Pelo caráter planejado, a Polícia Civil classificou o episódio como duplo homicídio qualificado.
Horas depois, três homens apontados como autores dos disparos foram presos em flagrante, já na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Eles trafegavam em um segundo veículo fornecido pela mesma organização criminosa, carregando munições e roupas usadas durante a execução. Os depoimentos colhidos indicaram que o suspeito agora detido em Rondonópolis havia coordenado o transporte do trio até Paranaíba e garantido a fuga para o estado vizinho.
Na sequência das diligências, uma quarta envolvida foi localizada. A mulher é suspeita de retirar as armas utilizadas no homicídio de um esconderijo preparado previamente pelo grupo. Os armamentos foram apreendidos e encaminhados à perícia, que os relacionou aos projéteis recolhidos na cena do crime. Com a prisão desse novo alvo em Mato Grosso, o número de custodiados chega a cinco.

Imagem: novos envolvidos
As autoridades sustentam que o avanço das investigações decorre da integração entre diferentes unidades policiais. Delegacias de municípios distintos compartilharam informações sobre rotas de fuga, veículos suspeitos e registros telefônicos. O Garras, especializado em operações de alto risco, foi acionado para efetuar a detenção fora do território sul-matogrossense, reduzindo a chance de confronto e eventual evasão do investigado.
A Polícia Civil prossegue no rastreamento de outros possíveis participantes, entre eles quem teria financiado a logística do crime e intermediado a comunicação entre os executores e a liderança da facção. A expectativa é concluir o inquérito nas próximas semanas, quando deverá ser encaminhado ao Ministério Público o relatório final com o pedido de indiciamento dos envolvidos por duplo homicídio qualificado e associação criminosa.
Durante a apuração, foram reunidos laudos balísticos, imagens de câmeras de segurança, conversas extraídas de aparelhos celulares e registros de pedágio que reforçam a tese de premeditação. A Polícia também trabalha para identificar eventual motivação adicional, como disputas internas do grupo ou retaliações ligadas a atividades ilícitas desenvolvidas na região.
Com a nova prisão, as forças de segurança esperam obter detalhes sobre a cadeia de comando da organização. O suspeito capturado em Rondonópolis deve ser transferido para uma unidade prisional de Mato Grosso do Sul ainda nesta semana, onde permanecerá à disposição da Justiça enquanto prosseguem as diligências para localizar outros integrantes da quadrilha.







