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Tempo de produção do boi define custo, eficiência e rentabilidade, afirma pesquisador da Embrapa

O médico-veterinário, engenheiro agrônomo e pesquisador licenciado da Embrapa Gado de Corte, Luiz Orsírio, afirmou que a duração do ciclo produtivo do bovino é o principal insumo da pecuária moderna. A declaração foi feita durante participação no programa Agro é Massa, transmitido pela Rádio Massa FM Campo Grande. Segundo o especialista, encurtar o intervalo entre a chegada do animal à fazenda e o envio ao frigorífico diminui custos, aumenta a eficiência do sistema e eleva a margem financeira da atividade.

De acordo com Orsírio, a redução da idade de abate altera toda a estrutura de despesas da propriedade. “O tempo em que a gente produz o animal é fundamental”, resumiu. Quanto menor o período de recria e engorda, menores são os gastos com manejo, sanidade e uso de pastagens, além de haver retorno mais rápido do capital investido.

No Mato Grosso do Sul, esse encurtamento tornou-se visível nas últimas duas décadas. Há cerca de 20 anos, a idade média de abate girava em torno de 36 meses. Atualmente, o intervalo mais comum varia de 24 a 30 meses, e já existem sistemas capazes de concluir o acabamento entre 18 e 24 meses. Essa mudança é atribuída à adoção de tecnologias de manejo, recuperação de pastagens e suplementação nutricional direcionada.

Além de melhorar indicadores econômicos, a antecipação do abate contribui para aspectos ambientais. Orsírio destacou que animais mantidos no rebanho por menos tempo emitem menos metano, gás associado ao efeito estufa. Também há reflexos positivos na qualidade da carcaça, que tende a apresentar melhor acabamento de gordura e maior valor de mercado.

O pesquisador observou que a intensificação da pecuária permitiu triplicar a capacidade de lotação das pastagens em diversas propriedades sul-matogrossenses. Esse avanço ocorreu principalmente a partir da adubação de forrageiras, do manejo rotacionado e da recuperação do valor nutricional das gramíneas. “Hoje fazemos uma agricultura de pastagem”, afirmou, referindo-se à atenção cada vez maior dada ao solo e às plantas forrageiras em áreas destinadas à recria e à engorda.

Outro fator que pressiona pela elevação da produtividade por hectare é o preço da terra. Em regiões onde a pecuária disputa espaço com culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, o produtor precisa extrair mais arrobas em menos área para permanecer competitivo. Nesse contexto, a suplementação entra como ferramenta decisiva.

Entre os ingredientes disponíveis para acelerar o ganho de peso, Orsírio citou o DDG (resíduo da produção de etanol de milho), farelo de soja, polpa cítrica, milho em grão e caroço de algodão. A escolha do componente varia conforme a região do estado, o preço local e a logística de fornecimento. Esses insumos podem ser empregados em três frentes principais: recria intensiva a pasto, terminação intensiva a pasto e confinamento. Em todas elas, o objetivo é obter maior deposição de tecido muscular sem necessidade de ampliar a área física da fazenda.

O uso de suplementos, entretanto, requer estrutura, mão de obra qualificada e monitoramento constante. O pesquisador alertou que não basta adotar a tecnologia; é preciso medir o retorno econômico para garantir que o investimento seja compensador. “Cada fazenda tem a sua realidade”, enfatizou, lembrando que fatores como sistema de produção, disponibilidade de insumos e capacidade de investimento devem nortear a estratégia nutricional.

Para ilustrar o impacto financeiro do manejo intensivo, Orsírio comparou dois cenários. Num sistema que envia bois ao frigorífico com 30 meses, a propriedade perde potencial de crescimento em relação a outro que conclui a engorda com 18 meses. A diferença pode chegar a cinco arrobas por ano – aproximadamente R$ 1.700 por animal nos preços vigentes. Esse montante, multiplicado pelo número de cabeças abatidas anualmente, representa variação significativa no resultado da fazenda.

O pesquisador apresentará detalhes dessas estratégias na próxima segunda-feira, 20, durante palestra no Sindicato Rural de Campo Grande. O evento é aberto a pecuaristas interessados em intensificar a produção e buscar maior competitividade no mercado de carne bovina de Mato Grosso do Sul.

Segundo Orsírio, a combinação de pastagens bem manejadas, suplementação balanceada e controle de indicadores de desempenho forma o tripé que sustenta a pecuária de ciclo curto. Ele reforça que, embora tecnologias estejam disponíveis, o ponto central continua sendo o tempo: quanto mais rápido o animal atinge o peso de abate, melhores são os resultados produtivos, econômicos e ambientais.