Policiais penais frustraram, na noite de quarta-feira, 22 de julho, uma tentativa de envio de ilícitos para a Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, localizada no bairro Jardim Noroeste, região leste da capital sul-mato-grossense. Um drone que sobrevoava o pátio da unidade foi interceptado por servidores do presídio por volta das 19h50, impedindo a entrada de um telefone celular e de uma porção de substância com características semelhantes às da cocaína.
De acordo com a administração penitenciária, o equipamento não tripulado foi avistado enquanto realizava manobras sobre os setores internos da prisão. Assim que identificaram o aparelho, os policiais penais pegaram rodos e vassouras disponíveis na área de serviço para alcançar o objeto em voo. Um detento que cumpria uma atividade autorizada também auxiliou na ação, obedecendo orientação dos servidores.
Após vários contatos com os cabos dos utensílios, o drone perdeu estabilidade e colidiu com o telhado de uma das estruturas do complexo. Em seguida, a direção da penitenciária autorizou que uma equipe subisse até o local da queda para recolher o material. Sobre a cobertura, os agentes encontraram o equipamento danificado e um pacote amarrado à fuselagem.
No conteúdo do invólucro, os servidores identificaram um aparelho Samsung A16 5G, além de uma porção de pó branco que apresentava características visuais semelhantes à cocaína. Todos os itens foram recolhidos e encaminhados aos procedimentos internos de apreensão.
A Polícia Militar foi acionada para registrar o ocorrido e prestar apoio externo. A guarnição acompanhou a conferência dos objetos, lavrou boletim de ocorrência no local e garantiu o transporte dos materiais à Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). O drone, o telefone celular e a substância suspeita foram entregues à autoridade policial para perícia.
Segundo informações preliminares repassadas pela direção do presídio, ainda não foi possível identificar quem operava o drone nem o ponto exato de decolagem. Também não há confirmação sobre qual interno receberia o pacote, caso a entrega tivesse sucesso. A Denar abriu inquérito para rastrear a origem do equipamento, apurar o trajeto percorrido e localizar possíveis envolvidos dentro e fora da unidade prisional.
Investigações da polícia especializada deverão analisar gravações de câmeras de segurança instaladas no entorno do estabelecimento, sinal de GPS eventualmente registrado no drone e quaisquer impressões digitais ou vestígios coletados nos objetos apreendidos. A perícia química da substância recolhida definirá se o material se trata de cocaína ou de outro entorpecente.

Imagem: Gerada IA Adriano Hany
Autoridades penitenciárias informaram que, após o incidente, procedimentos de vigilância aérea na Penitenciária de Segurança Máxima foram reforçados. Servidores receberam novas orientações sobre identificação rápida de dispositivos em voo e protocolos de interceptação, sobretudo durante o período noturno, considerado mais suscetível a esse tipo de tentativa.
O uso de drones para o transporte de ilícitos em unidades prisionais tem sido monitorado pelos órgãos de segurança pública em todo o país. Equipamentos de pequeno porte, capazes de carregar celulares, drogas ou acessórios, costumam ser operados a partir de áreas vizinhas às penitenciárias em horários de menor visibilidade, como o início da noite. Nesses casos, a altitude reduzida e o voo silencioso dificultam a detecção imediata pelos sentinelas.
No episódio desta quarta-feira, a ação rápida dos policiais penais e o auxílio pontual do interno autorizado foram apontados pela direção do presídio como fatores determinantes para o êxito da apreensão. Até o momento da elaboração da ocorrência, não havia informações sobre a responsabilização administrativa do detento que colaborou nem indícios de sua participação na tentativa de ingresso dos objetos.
Os itens apreendidos permanecem sob custódia da Denar, que dará continuidade às investigações. O resultado da perícia e eventuais medidas judiciais a serem adotadas dependerão da identificação dos responsáveis pela operação do drone e do destinatário da encomenda dentro da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande.








