Dois homens foram presos em Deodápolis, município a 80 quilômetros de Dourados, nesta terça-feira (28), após investigação da Polícia Civil sobre comércio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A operação resultou ainda na apreensão de uma espingarda calibre 12, de uma pistola 9 mm com numeração raspada e de diversas munições de calibres distintos.
As apurações começaram quando um homem, registrado como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), procurou a Delegacia de Polícia local para informar o suposto extravio de sua pistola 9 mm. No boletim de ocorrência, ele relatou que o armamento havia desaparecido em circunstâncias não esclarecidas. A declaração deu início a diligências para localizar a arma e verificar as condições desse desaparecimento.
Durante a investigação, os policiais identificaram inconsistências na narrativa apresentada. A equipe reuniu indícios de que a arma não havia sido perdida, mas vendida de forma clandestina por R$ 4.500,00. Com base nessas informações, os agentes passaram a buscar o possível comprador, além de confirmar se havia outros armamentos envolvidos na transação.
O comprador foi localizado em sua residência, onde mantinha a pistola. No momento da apreensão, os policiais constataram que a numeração de identificação da arma estava suprimida, fator que impede o rastreamento pelo sistema oficial e agrava a caracterização do delito. A adulteração reforçou a suspeita de que o armamento circulava fora dos mecanismos legais de controle.
No mesmo endereço, os investigadores encontraram uma espingarda calibre 12, acompanhada por cartuchos de diversos calibres. Esses materiais também foram apreendidos e serão periciados, uma vez que podem indicar a presença de outros crimes, como posse irregular de arma de fogo ou eventuais vínculos com atividades ilícitas na região.
Concluída a coleta inicial de provas, a Polícia Civil prendeu o vendedor pelos crimes de comércio ilegal de arma de fogo de uso restrito e falsa comunicação de crime, já que o boletim de ocorrência foi registrado para encobrir a venda. O comprador, por sua vez, foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Ambos foram conduzidos à Delegacia de Deodápolis para os procedimentos legais, incluindo interrogatório e formalização dos autos de prisão em flagrante.

Imagem: Divulgação
As investigações permanecem abertas para esclarecer todas as circunstâncias do caso. Entre os pontos a serem verificados estão a origem da pistola 9 mm, o destino que poderia ser dado à espingarda calibre 12 e eventuais outros envolvidos no comércio clandestino de armas. A polícia também pretende identificar se houve participação de terceiros na falsificação ou raspagem da numeração, prática que geralmente indica tentativa de inviabilizar o rastreamento por órgãos fiscalizadores.
Além das perícias balísticas e do exame das munições recolhidas, a Delegacia de Deodápolis vai analisar registros de movimentação financeira, conversas eletrônicas e possíveis ligações telefônicas entre os suspeitos, buscando comprovar a negociação da arma e identificar novos delitos. Caso apareçam indícios de um esquema maior de tráfico de armas, o inquérito poderá ser ampliado ou desmembrado para outras unidades especializadas da Polícia Civil.
Os presos permanecem à disposição do Poder Judiciário. Se condenados, podem receber penas que, somadas, ultrapassam dez anos de reclusão, considerando os crimes de comércio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, além da falsa comunicação de crime. A Polícia Civil reforçou que denunciar a perda de equipamento bélico de maneira fraudulenta configura crime autônomo e que o controle sobre armas de uso restrito segue rigorosamente a legislação federal.







