Discord informou que desativou, na segunda‑feira (10), um servidor privado que, segundo a empresa, era usado por criminosos para incentivar automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos de Naviraí, Mato Grosso do Sul, antes da morte da jovem.
A plataforma explicou que o servidor exigia convite para acesso, não era encontrado por outros usuários e que mantém diálogo com autoridades brasileiras para denunciar crimes, contando com equipes especializadas no combate a grupos violentos.
No mesmo dia, o Instituto de Defesa Coletiva ajuizou ação civil pública pedindo a suspensão do Discord no Brasil, alegando falhas nos mecanismos de prevenção, monitoramento, identificação de usuários e no atendimento a denúncias, e requerendo indenização coletiva de R$ 300 milhões até que a empresa comprove medidas eficazes de segurança.
Na semana anterior, o Discord havia firmado acordo com a Advocacia‑Geral da União para apresentar medidas de proteção a crianças e adolescentes.
A Operação Lívia, divulgada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi desencadeada após a morte da adolescente, que teria transmitido ao vivo seu suicídio no Discord após receber incentivos para matar um animal e para realizar o ato diante da câmera.
Investigação da Polícia Civil de MS, com apoio do Ciberlab, identificou uma organização de alcance nacional que aliciava adolescentes vulneráveis, estabelecia vínculo de confiança e exercia controle psicológico, cumprindo mandados em MS, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro; cinco adolescentes (13‑17 anos) e um jovem de 18 anos foram alvos.
O delegado Alesandro Barreto, coordenador do Ciberlab, afirmou que os criminosos recrutavam meninas e crianças para atos de crueldade contra animais, automutilação e que impediram outro suicídio ao vivo durante a operação.
O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, acusou Discord e Telegram de violar decretos de proteção a mulheres e crianças, criticou o tempo que o material permaneceu disponível e informou que o governo determinou a exclusão dos conteúdos e a suspensão dos servidores envolvidos.
O ministro da Justiça, Wellington Lima, ressaltou a integração entre as forças de segurança, o papel do Marco Civil da Internet e do ECA Digital no combate a crimes digitais e alertou pais e responsáveis a redobrarem a vigilância sobre o uso da internet por menores.
A Operação Lívia continua em investigação, com parte das informações sob sigilo; o Discord reafirmou seu compromisso com a segurança dos usuários e a colaboração com as autoridades brasileiras.








