O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul intensificou a preparação para o período de estiagem, antecipando a resposta a possíveis incêndios florestais diante de um cenário climático considerado imprevisível para o Estado, com projeções de redução das chuvas e aumento das temperaturas nos próximos meses.
Em entrevista ao programa RCN Notícias, da TVC HD Canal 13.1, o major Teixeira, subdiretor de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, afirmou que a corporação trabalha com diferentes possibilidades para os próximos meses e busca antecipar a resposta a ocorrências.
Segundo o major, a região de Três Lagoas e a Costa Leste está em uma zona de transição climática: enquanto o norte de Mato Grosso enfrenta seca mais intensa, o Sul do país registra chuvas volumosas, podendo alternar períodos secos e chuvosos.
O aumento da frequência de eventos climáticos de maior intensidade também preocupa a corporação, que observa fenômenos excepcionais ocorrendo em intervalos menores e em áreas antes não acostumadas a tais ocorrências.
Para atender a esse cenário, o Corpo de Bombeiros mantém atualização constante de procedimentos, equipamentos e treinamentos dos militares, destacando que o foco principal é o treinamento especializado, pois “por mais que se invista no bombeiro, a gente nunca vai ter ferramentas específicas para cada serviço”.
A presença de grandes áreas de florestas plantadas em Três Lagoas e na Costa Leste resultou em uma estrutura de prevenção mais robusta, com grandes empresas possuindo equipes próprias e adotando medidas de proteção, embora o poder público continue responsável por atender pequenos produtores e propriedades sem capacidade de resposta similar.
Além dos incêndios, o major citou riscos ambientais como ocorrências em áreas de preservação, vazamentos de produtos químicos (amônia, cloro) e emergências relacionadas a barragens, que exigem planejamento para preservar vidas.
No Pantanal, a corporação adotou estratégia de antecipação, mantendo quatro bases avançadas em regiões estratégicas, com possibilidade de ampliar para até 11, conforme condições do terreno e nível dos rios.
O major ressaltou que o fogo faz parte da dinâmica natural do Pantanal, mas a presença de atividades econômicas e a necessidade de conservação exigem atenção especial, sobretudo em áreas de difícil acesso.
Previsões para os próximos três meses indicam redução das chuvas e aumento das temperaturas na Costa Leste, o que pode coincidir com maior intensidade de fenômenos climáticos; por isso, a corporação trabalha para o pior cenário, embora reconheça que “a consequência disso … é imprevisível”.
Quando acionado, o Corpo de Bombeiros atua de forma integrada com equipes privadas já presentes no local, evitando conflitos operacionais e reduzindo riscos, especialmente em ocorrências de maior proporção que podem envolver aeronaves.
Em condições normais, a corporação dispõe de cerca de 40 viaturas para combate a incêndios florestais; durante a estiagem, outras 40 são acrescentadas à estrutura operacional.
A visita à região de Três Lagoas faz parte de uma série de ações para avaliar a prontidão das equipes e verificar se recursos como combustível, equipamentos e EPIs estão chegando aos locais necessários.
O Corpo de Bombeiros também alerta para o risco de queimadas urbanas, recomendando evitar queimas de folhas e resíduos que possam sair de controle e agravar a qualidade do ar, sobretudo em períodos de baixa umidade.
Em síntese, a estratégia adotada diante do cenário climático atual é antecipar possíveis ocorrências, manter equipes, equipamentos e logística preparados e ampliar a especialização dos militares para responder a uma variedade crescente de situações provocadas por mudanças no comportamento do clima.








