Search

Despesas ocultas de R$149 bi no 1º semestre elevam dívida a >80% do PIB e exigem ajuste

Esplanada dos Ministérios, em Brasília - Foto: Reprodução/Agência Brasil

Despesas financeiras que não aparecem no cálculo do resultado primário totalizaram R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2024, o que corresponde a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e eleva a dívida pública a mais de 80% do PIB, segundo análise que indica a necessidade de ajuste fiscal na próxima gestão.

A informação foi publicada na coluna da jornalista Míriam Leitão, do jornal O Globo, a partir de levantamento assinado pelos economistas Lívio Ribeiro e Matheus Rosa, da consultoria BRCG.

Os gastos englobam repasses, linhas de crédito subsidiadas e aportes em fundos, como transferências ao BNDES, financiamentos de programas habitacionais (Minha Casa, Minha Vida) e auxílios emergenciais, por exemplo ao socorro das enchentes no Rio Grande do Sul e a empresas afetadas por tarifas externas.

Embora tenham relevância social, esses recursos são contabilizados como despesas financeiras apenas quando o Tesouro precisa captar recursos no mercado para cobri-los, gerando juros que aumentam o endividamento bruto da União.

A métrica tradicional do resultado primário considera apenas a diferença entre arrecadação e gastos com serviços e investimentos, excluindo juros e custos de financiamento, o que permite que linhas de financiamento estatal apareçam neutras no balanço, mas gerem despesas reais.

Analistas econômicos afirmam que, com a dívida já acima de 80% do PIB, a margem para manobras paralelas ao orçamento se esgotou, e a próxima administração presidencial terá de conduzir um ajuste fiscal rigoroso, revisando o impacto desses financiamentos nas contas públicas.

Isso vai fechar em 35 segundos