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Relógios inteligentes alertam sobre batimentos cardíacos, mas risco real é questionado

Vigilância obsessiva de dados amplia consultas motivadas por ansiedade - Foto: Mikaele Teodoro

A popularização de relógios e anéis inteligentes transformou o pulso em um centro de monitoramento biométrico em tempo real. Eles facilitam o acompanhamento do sono e dos passos diários, mas os alertas sobre a saúde do coração geram um dilema nos consultórios, pois a dependência de números constantes pode levar à interpretação precipitada de variações biológicas normais como doenças graves.

Consultas motivadas apenas por notificações no visor têm se tornado rotina. Segundo o cardiologista Alexandre Henrique Zangari, variações na frequência cardíaca são respostas fisiológicas naturais a fatores comuns do cotidiano, como estresse, noites mal dormidas, cafeína em excesso, esforço físico ou falhas de leitura do sensor óptico contra a pele.

“A frequência cardíaca não é um número fixo e costuma variar ao longo do dia por inúmeros fatores. Aí está o problema: interpretar qualquer alteração como uma doença. Minha orientação é não transformar os dados sinalizados pelo dispositivo em um diagnóstico”, afirma o médico.

Apesar do alerta sobre o excesso de preocupação, os dispositivos inteligentes contam com respaldo científico como suporte na detecção precoce de alterações. Pesquisas de larga escala, como o Apple Heart Study, demonstraram que cerca de 84% dos alertas de pulso irregular avaliados coincidiram com episódios reais de fibrilação atrial em exames convencionais.

O impasse está no impacto emocional da vigilância contínua. Ao se deparar com uma notificação inesperada, a reação imediata de apreensão pode acelerar os batimentos de forma real, criando um ciclo de estresse e uma falsa sensação de emergência.

A orientação médica é usar o aparelho para estimular hábitos saudáveis, e não como fonte constante de tensão ou substituto de exames clínicos. A consulta com um especialista é recomendada quando os avisos de ritmo irregular forem recorrentes ou vierem acompanhados de sintomas físicos evidentes, como tontura persistente, falta de ar, palpitações fortes ou episódios de desmaio. Nesses casos, o eletrocardiograma e a avaliação clínica presencial continuam sendo o padrão para fechar qualquer diagnóstico.

Com informações da Cassems. O post Monitoramento no pulso: até onde os alertas de relógios inteligentes indicam risco real? apareceu primeiro em RCN67.