Na manhã desta sexta-feira (28), a sede da Corpal Incorporadora, em Campo Grande, sediou o segundo painel da 8ª edição do RCN em Ação – AMCHAM Avança. O encontro concentrou-se nos fatores que impulsionam o parque produtivo de Mato Grosso do Sul e nos obstáculos para sustentar a nova onda de investimentos.
O debate, intitulado “Impactos e Oportunidades da Industrialização do Estado” e moderado pelo diretor da TOTVS Oeste, Dijan de Barros, reuniu executivos de setores estratégicos como siderurgia, saneamento e celulose.
Os participantes analisaram a necessidade de agregar valor às riquezas naturais, a urgência de modais eficientes de escoamento e o papel das pessoas e da tecnologia no avanço dos negócios locais.
Luiz Nagata, CEO da Vetorial, relembrou a trajetória da empresa no estado desde 1995 e destacou o ganho econômico gerado pela transformação da matéria-prima bruta. Ele apontou que o minério de ferro bruto é vendido ao mercado externo por cerca de 100 dólares a tonelada, enquanto o ferro‑gusa, produto processado, pode atingir preços até cinco vezes superiores. Nagata alertou para a necessidade de diversificar a matriz de transporte estadual, citando a subutilização das ferrovias e a sobrecarga das rodovias como gargalos para a competitividade regional.
“A indústria de base é o alicerce de onde começa a construção do desenvolvimento. Mas precisamos olhar criticamente para a nossa logística. O Estado se desenvolveu historicamente pela ferrovia que chegava até Corumbá. Um único comboio na hidrovia tira 800 caminhões da estrada, e uma locomotiva precisa de dois operadores para movimentar milhares de toneladas. O debate logístico não pode ficar restrito ao asfalto; o resgate da malha ferroviária é um ponto-chave de produtividade e segurança”, afirmou Nagata.
Gabriel Buim, presidente da concessionária do Grupo Aegea no estado, ressaltou que os investimentos em esgotamento sanitário somam quase R$ 1,9 bilhão para os próximos três anos nas praças atendidas pelo grupo, com geração prevista de R$ 14 bilhões de impacto indireto na economia sul‑mato‑grossense em 15 anos. Ele destacou que a cobertura de esgoto já alcança 86% e avança rumo à universalização, mas alertou que o setor produtivo precisa antecipar discussões sobre gestão sustentável dos mananciais e reúso de água.
“Infraestrutura não é apenas saneamento básico, é acessibilidade, saúde pública e atração de mão de obra. Porém, não podemos esperar uma tragédia climática acontecer para falar de resiliência hídrica. Precisamos discutir hoje o reaproveitamento de efluentes tratados em polos industriais e a proteção dos nossos mananciais, garantindo sustentabilidade antes que a escassez imponha soluções emergenciais e mais caras”, frisou Buim.
Elcio Trajano, Chief Human Resources Officer da Eldorado Brasil Celulose, enfatizou que a atração de gigantes industriais em Mato Grosso do Sul depende da capacidade do estado de formar e reter talentos locais. Ele apontou que cerca de 60% dos fornecedores da companhia vêm de parcerias desenvolvidas dentro do próprio estado e reforçou que as empresas precisam planejar sua inserção comunitária com anos de antecedência.
Ao debater o impacto da inteligência artificial e da automação na gestão corporativa, os painelistas concordaram que a tecnologia deve ser adotada com capacitação e senso crítico. Trajano concluiu: “A tecnologia é acessível e logo todos terão as mesmas ferramentas. O diferencial competitivo de qualquer organização sempre serão as pessoas engajadas, preparadas e alinhadas à cultura do negócio. A inteligência artificial veio para dar agilidade e produtividade, mas exige senso crítico no uso dos dados e disciplina para preservar a saúde mental dos times diante do excesso de informações”.
Os painéis da 8ª edição do RCN em Ação continuaram a discutir estratégias setoriais, comércio exterior e inovação para o mercado sul‑mato‑grossense ao longo do dia.






