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Seguro rural cai 47% em MS e produtores assumem risco financeiro

A contratação de seguro rural em Mato Grosso do Sul recuou 47% nos últimos doze meses, supera a queda média nacional de 43%, segundo dados citados pela RCN67. Com a redução das apólices, o produtor rural passa a arcar integralmente com os riscos financeiros e de produtividade que antes eram compartilhados com seguradoras.

O recuo ocorre após a Lei Orçamentária Anual de 2025 reduzir o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural de R$ 1,06 bilhão para R$ 565 milhões, quase 50% a menos, afetando mais de 42 mil produtores em todo o país e encarecendo o prêmio das apólices.

O economista Hudson Garcia explicou que “o produtor rural está transferindo para dentro da fazenda o risco financeiro que antes era compartilhado com seguradoras”, o que cria “um fator de incerteza muito grande no caixa, com risco grave inclusive de não fechar a conta no final da safra”.

Ele acrescentou que a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode intensificar eventos climáticos severos, chega a 96%, e que “a receita da fazenda depende do volume produzido e multiplicado pelo preço; ter preço elevado sem volume colhido não fecha a conta no fim da safra”.

Garcia também destacou que o seguro agrícola é mais caro que outros ramos porque o risco é sistêmico: “uma quebra de safra atinge regiões inteiras ou até países, exigindo que as seguradoras mantenham caixa elevado, o que eleva o custo da apólice”.

Ele alertou que a diminuição das indenizações pagas não indica clima favorável, afirmando que “o risco de transferir a carga de uma eventual quebra de produtividade direto para a fazenda é muito alto” e que propriedades alavancadas precisam de coberturas robustas para evitar colapso financeiro.

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