A arroba do boi gordo iniciou setembro com preços firmes em São Paulo, após forte pressão no final de agosto. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Agro é Massa, da Rádio Massa FM Campo Grande, com a analista de mercado Juliana Pila. Segundo a especialista, a cotação está negociada entre R$ 345 e R$ 350, sinalizando tendência de alta no início do mês.
Juliana explicou que, no último dia de agosto, os vendedores passaram a segurar as negociações e a rejeitar ofertas abaixo das referências de preço. Esse comportamento impediu quedas maiores e contribuiu para a valorização da arroba no mercado interno. Além disso, a retenção das ofertas reduziu a volatilidade, evitando oscilações bruscas que poderiam afetar os produtores.
“A gente viu um mercado bastante pressionado no final de agosto e isso fez com que os vendedores acabassem segurando um pouco mais as negociações, não aceitando essas ofertas abaixo da referência. Com isso, a gente teve algumas valorizações.”
Em São Paulo, a escala de abate das indústrias varia entre sete e dez dias, o que influencia o ritmo de compra de carne bovina. Juliana avaliou que o pagamento de salários e o feriado prolongado no início de setembro podem afetar a demanda, embora as indústrias ainda observem o consumo antes de definir novos movimentos. As empresas aguardam o comportamento do consumo durante esse período prolongado para ajustar suas estratégias de compra.
Desafios externos
O cenário internacional traz desafios adicionais ao setor pecuário. A União Europeia suspendeu as importações de carne bovina brasileira, reduzindo as oportunidades de exportação para os frigoríficos que dependem desse mercado, ainda que a UE represente parcela menor das compras em comparação com a China. Essa suspensão limita temporariamente a demanda europeia, exigindo que os exportadores busquem outros destinos.
Por outro lado, a habilitação de 21 plantas brasileiras para exportação à Indonésia abre uma nova porta para a carne nacional. A aprovação amplia as possibilidades de acesso ao mercado asiático, que tem demonstrado demanda crescente por proteína animal. Essa expansão pode compensar parcialmente a perda de mercado europeu, oferecendo novas rotas de exportação para os produtores.
Juliana destacou que, apesar da pressão externa, o mercado interno deve se manter firme, com preços mais lateralizados. Ela apontou que pode haver alguma pressão de baixa, mas a tendência geral indica estabilidade.
Mercado de leite
No segmento de leite, o levantamento da Scot Consultoria, realizado em 18 estados, apontou preço médio ponderado de R$ 2,53 por litro pago ao produtor pela entrega em julho. O valor representa alta de 2,2% em relação ao mês anterior, equivalendo a seis centavos a mais por litro.
Juliana explicou que, embora a captação de leite tenha crescido mensalmente, o volume ainda está abaixo do registrado no início do ano. Com estoques industriais mais ajustados, o cenário abriu espaço para a valorização do produto, mas o mercado spot entre as próprias indústrias está mais pressionado, o que pode reduzir a força dos preços nos próximos pagamentos.
A expectativa para o pagamento de setembro é de estabilidade, porém com viés de baixa, segundo a analista. Ela ressaltou que o mercado spot deve perder parte da força, o que pode refletir em preços mais modestos nos próximos ciclos de pagamento.
Com a combinação de pressão interna, ajustes nas exportações e a dinâmica do mercado spot de leite, os produtores e frigoríficos acompanharão de perto os indicadores de consumo nas próximas semanas, que definirão se a arroba permanecerá estável ou sofrerá nova queda. O próximo passo será observar as decisões de preço das principais indústrias e os relatórios de demanda internacional.








