Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, enfrenta um aumento significativo na violência urbana. A cidade, que se consolidou entre as três maiores do estado pelo crescimento populacional, começa a arcar com as consequências desse desenvolvimento no setor de segurança pública.
De acordo com dados divulgados, foram registrados 13 homicídios dolosos e um crime de feminicídio na cidade durante o ano de 2026. Esses números refletem uma escalada perigosa de homicídios que a população local vivencia, marcada por disputas de território entre grupos criminosos.
Contexto regional e fronteiras
O cenário de insegurança é agravado pela localização geográfica de Três Lagoas, próxima às fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. Esses países são apontados como bases operacionais para criminosos que enviam armamentos pesados para facções organizadas em estados das regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.
Além disso, a cidade situa-se em uma das passagens da rota de drogas destinadas aos grandes centros de consumo e ao exterior. A presença de grupos atuantes no tráfico e em outros ilícitos penais contribui para o ambiente de tensão e violência no cotidiano local.
As forças policiais de repressão ao crime organizado possuem conhecimento pleno sobre os modos de operação desses criminosos. O desafio principal reside na intensidade da repressão e na capacidade de conter a movimentação desses indivíduos, que se misturam à sociedade ou agem com extrema violência para alcançar objetivos ou remover empecilhos.
Dados estaduais e ações policiais
Em âmbito estadual, Mato Grosso do Sul registrou 332 homicídios dolosos, 25 feminicídios, 18 lesões corporais seguidas de morte, uma morte por maus tratos e outra por latrocínio no mesmo período. Esses dados, que cobrem oito meses de registros, indicam que novas ocorrências podem ser somadas até o fim do ano.
As ações da polícia em Três Lagoas resultaram na eliminação de nove criminosos durante o cumprimento de diligências. Apesar dessas operações, os dados não são tranquilizadores e exigem uma ação mais eficaz dos agentes de segurança do Estado, que atuam em todos os níveis na repressão ao crime organizado.
A região também está na divisa com o estado de São Paulo, onde facções buscam impor domínio sobre comunidades. A cidade de Araçatuba, em São Paulo, já apareceu entre as dez cidades mais violentas do estado, considerando a taxa de mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Criminosos de lá e de cidades circunvizinhas vêm a Três Lagoas para perpetrar ações criminosas.
A evolução tecnológica, com inteligência artificial e câmeras de reconhecimento facial, pode contribuir para o combate ao crime, mas é necessário que esses equipamentos sejam instalados e utilizados efetivamente. A população vive tempos de insegurança, e é imperativo o combate intenso à ação desses grupos para evitar que a cidade registre elevados índices de criminalidade, como outras que se desenvolveram sem controle adequado da segurança pública.







