O rápido desenvolvimento de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, tem sido apontado como um dos principais fatores que exigem ajustes no planejamento da segurança pública estadual. Ao reassumir a Delegacia Regional de Polícia Civil, o delegado Rogério Fernando Makert Faria destacou que, embora a cidade ainda não seja classificada como violenta, o aumento de trabalhadores e a instalação de grandes empreendimentos demandam uma estrutura policial mais robusta.
“Não considero violenta. Há violência, mas é uma cidade tranquila ainda e que os mecanismos de segurança conseguem dar resposta”, afirmou o delegado, ressaltando que a tranquilidade atual pode mudar se a expansão não for acompanhada por recursos adequados.
Faria também citou o impacto regional de projetos como a fábrica da Arauco, localizada em Inocência, que gera fluxo de pessoas e mercadorias refletindo diretamente em Três Lagoas. Segundo ele, a estrutura regional deve identificar antecipadamente essas demandas e encaminhá‑las à administração estadual para garantir a destinação de recursos e soluções.
Além da atuação tradicional, a Delegacia Regional passa a contar com uma abordagem mais focada em inteligência. O delegado Ailton Pereira, que antes comandava a delegacia em Três Lagoas, assumiu a missão estratégica de combater o crime organizado no chamado “Bolsão”, abrangendo os municípios de Três Lagoas, Paranaíba, Bataguassu e Nova Andradina. A proposta inclui ampliar o levantamento de informações e, a partir delas, desencadear operações contra organizações criminosas.
Desafios regionais
Em entrevista ao Grupo RCN de Comunicação, o governador Eduardo Riedel reiterou que o combate ao crime organizado permanece entre as prioridades do governo de Mato Grosso do Sul. O mandatário destacou a necessidade de integração entre forças de segurança, municípios e órgãos de inteligência para enfrentar facções como o PCC e o Comando Vermelho.
“Existe uma guerra silenciosa, mas extremamente firme, contra o crime organizado. Não vamos permitir que Mato Grosso do Sul seja dominado por essas organizações”, declarou Riedel, que apontou o reforço no efetivo como elemento central da estratégia.
Segundo o governador, cerca de 400 novos policiais civis – entre investigadores e escrivães – foram formados recentemente e já estão atuando em diferentes regiões do Estado. Em junho, o governo estadual entregou 522 novas viaturas, 970 coletes balísticos e 624 pistolas para as forças de segurança, ampliando a capacidade de resposta tanto no policiamento ostensivo quanto nas ações de inteligência.
Riedel ressaltou ainda que o enfrentamento ao crime organizado não depende apenas do aumento de efetivo. A estratégia inclui o acompanhamento da movimentação financeira das organizações, com a participação da Secretaria de Fazenda, da Procuradoria‑Geral do Estado e do Ministério Público. O objetivo é rastrear recursos suspeitos e enfraquecer a base econômica das facções.
Reforço estadual
Para a população de Três Lagoas, as medidas anunciadas representam um esforço concreto para manter a tranquilidade em meio ao crescimento econômico. A presença de mais policiais, equipamentos modernos e um foco maior em inteligência deve, segundo as autoridades, prevenir a escalada de violência e garantir que a cidade continue a oferecer qualidade de vida aos seus habitantes.
O próximo passo da administração estadual inclui a consolidação dos novos recursos nas delegacias regionais e a ampliação das operações de inteligência no “Bolsão”. O acompanhamento dos resultados será feito em conjunto com os municípios envolvidos, que deverão enviar relatórios periódicos ao governo para avaliar a eficácia das ações e ajustar estratégias conforme necessário.








