Jefferson Bezerra, candidato do Agir ao governo de Mato Grosso do Sul, apresentou em entrevista à Rádio Massa FM um plano de governo centrado na participação popular e na descentralização dos investimentos estaduais. A declaração faz parte da série de entrevistas com os candidatos às Eleições 2026. O jornalista e redator, natural de Dourados e com 53 anos, disputa o cargo pela primeira vez. O registro de sua candidatura, de número 36, foi deferido pela Justiça Eleitoral.
Bezerra afirmou que pretende ampliar a divulgação dos gastos públicos para permitir que a população acompanhe a aplicação dos recursos. O objetivo é tirar a política da esfera das promessas e levá-la à prática, segundo o candidato. A proposta busca garantir que o cidadão saiba onde o imposto pago está sendo investido.
Descentralização e emprego
Entre as principais propostas está a descentralização da geração de emprego e renda. Bezerra citou municípios das regiões de Dourados, Mundo Novo, Tacuru, Sete Quedas, Antônio João e Bela Vista como áreas que necessitam de mais investimentos privados e industriais. A ideia é estimular a instalação de pequenas e médias empresas no interior, em parceria com entidades do setor produtivo.
O candidato defendeu a criação do programa Crédito MS Empreendedor, voltado a micro e pequenas empresas. A iniciativa prevê crédito com juros subsidiados e prazo estendido para apoiar comerciantes e pequenos empresários. Bezerra ressaltou a necessidade de pensar na geração de emprego fora dos principais centros econômicos do Estado.
Na área administrativa, o candidato propôs estabelecer uma relação mais direta com prefeitos, vereadores e moradores para definir prioridades. A proposta é regionalizar áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança, com participação dos municípios na definição das demandas. Bezerra afirmou que a população precisa saber que o imposto pago deve retornar a ela na forma de serviços.
Saúde e transparência
A saúde pública foi apontada como prioridade. Bezerra defendeu a regionalização do atendimento para reduzir o deslocamento de pacientes para Campo Grande. Ele citou a situação da Santa Casa de Campo Grande e afirmou a intenção de ampliar a oferta de exames e atendimentos no interior. O candidato também questionou incentivos fiscais concedidos pelo Estado, defendendo maior transparência sobre os valores envolvidos.
Bezerra declarou que, se 10% do dinheiro dos incentivos fossem investidos na saúde, o valor ultrapassaria R$ 1 bilhão. A afirmação foi feita sem detalhamento imediato sobre a composição do valor. Para ampliar a prestação de contas, o candidato propôs utilizar parte dos recursos de publicidade institucional para divulgar informações sobre a aplicação do dinheiro público. A ideia inclui a instalação de outdoors nas cidades para informar quanto foi arrecadado e investido em saúde e educação.
Na segurança pública, Bezerra defendeu concursos públicos, aumento do efetivo policial e investimentos em tecnologia. Ele propôs a instalação de câmeras de monitoramento nas entradas dos municípios, com integração de dados para auxiliar na identificação de veículos e investigação de crimes. O candidato também sugeriu dar autonomia ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de MS, para investigações relacionadas ao governo estadual. Bezerra mencionou a intenção de estudar um aumento salarial de 30% para servidores, incluindo policiais, sem detalhar o impacto financeiro ou a fonte de custeio.
Na infraestrutura, o candidato criticou as condições de rodovias e defendeu investimentos em pavimentação e manutenção. Ele citou a BR-163 e a necessidade de ampliar a fiscalização sobre obras e contratos. Bezerra propôs a escolha de um secretário de Infraestrutura para mapear necessidades e acelerar intervenções. Questionado sobre governabilidade, já que o Agir não possui representantes na Assembleia Legislativa, Bezerra afirmou que buscará diálogo com os 24 deputados estaduais, a bancada federal e o governo federal. Ele ressaltou que o governador não governa sozinho, mas com secretariado, deputados, prefeitos e vereadores. Sobre uma pendência de prestação de contas de 2024, o candidato afirmou que a situação foi resolvida e que sua candidatura está regular.








