Um relatório preliminar da intervenção municipal revelou que, em 2025, apenas 74,5% das viagens de ônibus programadas pelo Consórcio Guaicurus foram efetivamente realizadas em Campo Grande. Isso significa que, a cada 100 viagens previstas, cerca de 25 não saíram. O documento, elaborado pelos interventores, destaca a queda de eficiência como um dos principais problemas do transporte coletivo da capital sul-mato-grossense.
Os indicadores mostram que a eficiência já apresentava tendência de deterioração antes da intervenção. Em 2023, a taxa era de 86,4%; em 2024, reduziu‑se para 82,2%; e nos primeiros cinco meses de 2026, ficou em 76%. Paralelamente, o total de viagens executadas caiu de 1.020.425 em 2023 para 878.103 em 2025, o que representa uma diminuição de 14%. A distância percorrida pelos ônibus também recuou 15,2% no mesmo período, embora o número de veículos na frota não tenha sido reduzido por compra ou venda.
Queda de eficiência
A discrepância entre a frota registrada e a disponibilidade real de veículos tem impacto direto nos usuários. A equipe interventora apontou que a simples presença de ônibus no cadastro não garante a presença desses veículos nos pontos de parada nos horários programados. Manutenção, disponibilidade de veículos e programação operacional foram citadas como fatores que precisam ser analisados para entender a redução da oferta.
Entre 2021 e 2025, a Agência de Transporte do Estado de Mato Grosso do Sul (Agetran) registrou 21.910 autuações contra o Consórcio Guaicurus. Destas, 12.279 envolveram descumprimento de horários e 3.444 trataram de omissão de viagens. Esses números reforçam a constatação de falhas tanto nos indicadores de eficiência quanto nos registros de fiscalização.
Após o início da intervenção, em junho, o volume mensal de viagens subiu de 72.208 em junho para 76.961 em julho e 75.604 em agosto. Como junho inclui dias anteriores e posteriores à mudança de gestão, ainda não há evidência de recuperação sustentada. Em nota à imprensa, o Consórcio Guaicurus contestou as conclusões do relatório, alegando desequilíbrio econômico‑financeiro provocado por revisões contratuais não realizadas e dificuldades nos repasses previstos no contrato. O documento, porém, não apresenta uma causa única para a queda de serviço, deixando em aberto a necessidade de novas análises e medidas corretivas para garantir a regularidade do transporte coletivo aos cidadãos de Campo Grande.








