Delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar, compareceu à Corregedoria da Polícia Civil de Campo Grande na tarde de 24 de abril. Ele havia sido alvo de mandado de prisão preventiva na Operação Infiltrados, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. No início da manhã, equipes do Gaeco chegaram à sua residência no bairro Carandá Bosque, mas o delegado não estava presente, permanecendo procurado durante o dia.
A Operação Infiltrados investiga um esquema suspeito de desvio de drogas apreendidas, sobretudo cocaína, por agentes de segurança pública. Até o momento, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos, segundo dados do MPMS.
O advogado Amilton Ferreira de Almeida, que representa o delegado, afirmou que Hoffman não tinha conhecimento da operação e negou que estivesse foragido. Ele disse que a família acionou a defesa ao perceber a movimentação das equipes na residência, no bairro Carandá Bosque, e que o delegado se apresentaria se fosse necessário cumprir alguma medida de prisão.
A ausência do delegado na residência levou o Gaeco a investigar possíveis vazamentos de informação. As equipes procuraram imagens de câmeras de segurança da região para determinar quando ele deixou o imóvel, mas até a sua apresentação não havia confirmação de que ele soubesse que seria alvo da operação.
Operação Infiltrados
Hoffman era titular da Denar, onde comandou operações contra o tráfico. Sua experiência no combate ao narcotráfico o torna figura de destaque na investigação, mas também alvo de suspeitas de envolvimento no esquema de desvio de drogas.
Entre os presos estão o investigador da Polícia Civil Nelson Ricardo Barros de Oliveira, de 40 anos, e o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, de 39, conhecido como “Paraíba”. Também foram detidos o policial militar Alison Lemes Bezerra e o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos, já detido. A lista inclui ainda Douglas Tobias, de 45 anos, Neverson Vieira de Araújo, de 44, Luiz Carlos de Souza, de 37, Nilton César Sales dos Santos, de 55, Wesley Benites, Matheus Gabriel Machado Bezerra, de 29, Kayon Lucas Leodoro da Silva, de 19, e Ebert de Almeida. Valdenice da Silva Goes, mãe de um dos investigados, e Ana Carolina da Silva dos Santos, apontada como irmã de outro investigado, também foram presas.
Defesas
Como a investigação tramita sob sigilo, os advogados ainda não tiveram acesso ao conteúdo dos autos. Lucas Ribeiro Gonçalves Dias e Henrique Cordeiro Spontoni, que representam Nelson e Matheus, pediram acesso ao processo para entender o que embasou as prisões. Segundo Henrique, a prisão de Nelson foi surpresa, e o investigador nunca teria sido alvo de procedimento na Corregedoria, até onde a defesa sabe. Nelson já trabalhou na Denar e estava lotado na Defurv. Ele está custodiado na 3ª Delegacia de Polícia e deve passar por audiência de custódia. William Frata, que defende Kayon, e Iltom Hashimoto, que representa Ebert, também aguardam a liberação dos autos.
Segundo o MPMS, integrantes do grupo teriam usado o acesso proporcionado pelos cargos para retirar drogas apreendidas de delegacias e depósitos do Estado e devolvê-las ao mercado ilegal. A suspeita é de que parte do entorpecente fosse desviada antes de chegar aos procedimentos regulares de armazenamento e destinação. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas das operações Traquetos e Blindspot, e abrange policiais civis, militares, um policial penal e um ex-policial civil.
As prisões são medidas cautelares e não representam condenação. Os presos devem passar por audiência de custódia, onde a Corregedoria avaliará a necessidade de manter a prisão preventiva ou aplicar outras medidas.
O próximo passo da investigação será a análise dos autos e a definição de eventuais acusações. Até o momento, não há previsão de julgamento, mas a Corregedoria deverá decidir sobre a continuidade das medidas cautelares em breve, enquanto o MPMS coleta mais provas.








