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Argentina projeta receita de US$ 40 bilhões com agronegócio em 2027

Colheita de trigo na Argentina - Foto: REUTERS/Martin Cossarini

Um relatório técnico divulgado na sexta‑feira, 25, pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) projeta que as exportações agrícolas da Argentina gerarão entrada de dólares de US$ 40 bilhões em 2027, o segundo maior volume histórico, superado apenas pelo recorde de 2022. O documento destaca que a receita esperada ultrapassa a de todos os anos anteriores, reforçando a importância do setor para a balança comercial do país.

Para 2026, a mesma entidade estima uma entrada de US$ 35,2 bilhões, indicando tendência de crescimento. O cenário favorável decorre de três pilares: aumento da produção, cotações atrativas no mercado externo e dificuldades logísticas enfrentadas por concorrentes. A BCR prevê que a safra de grãos 2026/27 alcance 156 milhões de toneladas métricas, posicionando‑se entre as maiores colheitas registradas na Argentina.

Preços e demanda

As cotações internacionais de soja, milho e trigo permanecem elevadas, impulsionadas pelos entraves no escoamento das safras da Rússia e da Ucrânia no Mar Negro. Com a oferta do Leste Europeu reduzida, compradores asiáticos, sobretudo a Indonésia, ampliaram as compras de produtos argentinos, buscando suprir a escassez gerada pelos conflitos.

O ritmo de negociação já reflete esse aquecimento: o milho argentino registrou vendas superiores a 1 milhão de toneladas por semana durante quatro semanas consecutivas, enquanto os contratos futuros de trigo atingiram o pico mais alto dos últimos cinco anos. Esses indicadores apontam para uma demanda robusta que pode sustentar os preços no mercado futuro.

O relatório também projeta que as receitas fiscais provenientes das tarifas sobre embarques agrícolas chegarão a US$ 5,48 bilhões em 2027 – um aumento de 16 % em relação ao nível atual – compensando eventuais cortes nas alíquotas de tributação. Esse aporte fiscal deve reforçar o caixa do governo e contribuir para o equilíbrio das contas públicas.

Analistas da BCR ressaltam que o fluxo de dólares gerado pelas exportações será estratégico para recompor as reservas do Banco Central, conter a desvalorização do peso e equilibrar as contas públicas. O acompanhamento da colheita e das negociações internacionais será decisivo para confirmar as projeções e orientar possíveis ajustes de política cambial nos próximos meses.