Um adolescente de 14 anos, baleado na cabeça durante a chacina em Nova Casa Verde, distrito de Nova Andradina, teve a morte cerebral confirmada na noite de quarta-feira (23). Ele estava internado em Dourados e passou por um procedimento de captação de órgãos no dia seguinte, quinta-feira (24). A vítima é a quarta pessoa morta no ataque ocorrido na noite de sábado (19).
Na data do crime, dois homens chegaram de moto a uma residência e executaram Daniel Matos Alves, de 32 anos, Eliane Franco, de 37, e Raíssa Franco, de 21. Todos foram atingidos por tiros na cabeça e nas costas. O adolescente dormia em um dos quartos e também foi alvejado, mas ainda apresentava sinais vitais quando foi socorrido. Um menino de 5 anos, filho de Eliane, foi a única pessoa poupada no local.
Investigação aponta facção
A Polícia Civil investiga a suspeita de que o crime foi ordenado pelo Comando Vermelho. Diante do imóvel, os investigadores encontraram uma pichação com as iniciais “CV”. Depoimentos colhidos no inquérito indicam que os envolvidos receberam funções específicas para executar o ataque. A motivação apontada é a vingança pela morte de um integrante da facção, conhecido como “Filipinho”, assassinado dias antes do ocorrido. Essa informação consta no relato de um dos suspeitos e segue em apuração.
Quatro pessoas foram presas no dia seguinte ao crime. Entre elas está Bruno Gabriel Nunes Rocha, de 19 anos, apontado como o piloto da motocicleta utilizada no deslocamento até a casa da vítima. Ele foi localizado pela Força Tática na rodovia MS-134. Com ele, a polícia apreendeu um revólver calibre 38, que continha quatro munições, sendo duas delas deflagradas.
Detalhes da operação
O segundo homem que estava na motocicleta conseguiu fugir pela vegetação. Ele é conhecido pelo apelido “Pit Bull” e é apontado nos depoimentos como participante direto da execução. Até o momento da publicação, ele ainda era procurado pelas autoridades. A investigação busca reunir elementos sobre a ordem do ataque e a participação de cada envolvido.
Na residência de Karina Aparecida Chuba, uma das presas, foram apreendidos 15 gramas de cocaína e 11 munições calibre 38. Tanto Karina quanto Bruno foram autuados por tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo. A Polícia Civil continua as apurações com um suspeito foragido e a análise dos depoimentos sobre a motivação e a logística do crime.
Após a confirmação da morte cerebral, a família autorizou a doação de órgãos. Na tarde de quinta-feira, médicos realizaram a captação do fígado, dos rins e das córneas em um hospital particular de Dourados. O coração também seria destinado à doação, mas precisou ser descartado devido à ausência completa de atividade elétrica e mecânica. O procedimento cirúrgico durou quase quatro horas.







