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Infarto aos 38 anos alerta sobre risco cardiovascular em jovens

No dia 31 de dezembro de 2018, Alessandro de Bassi, executivo de contas de 38 anos, sofreu um infarto enquanto trabalhava em uma obra na própria casa, em Piên, no Paraná. O episódio, ocorrido durante o mês de conscientização sobre doenças cardiovasculares — o chamado Setembro Vermelho — serve de alerta para a população que ainda acredita estar isenta de problemas cardíacos. Apesar de se considerar saudável, praticar futebol aos fins de semana e nunca ter apresentado queixas médicas, o homem viu sua vida mudar em poucos minutos, quando a dor começou a se espalhar do crânio ao peito.

A dor iniciou na cabeça e, em poucos minutos, migrou para o peito, irradiando para o braço esquerdo. Inicialmente, Alessandro ignorou o desconforto, mas a falta de ar aumentou a sensação de gravidade, levando-o a dirigir até o hospital mais próximo. Ao chegar, a pressão arterial foi registrada em 23 por 18, valores críticos que indicavam risco iminente de parada cardíaca. O executivo, que raramente consultava médicos, reconheceu naquele instante que precisava de atendimento emergencial, embora ainda estivesse ao volante.

A equipe do pronto‑socorro, percebendo a gravidade, acionou o serviço de helicóptero para transferência a Curitiba. Em 24 minutos, Alessandro já estava em um hospital da capital, sendo admitido na Unidade de Terapia Intensiva. O diagnóstico apontou que uma das principais artérias coronárias estava 95% obstruída, situação que exigia intervenção imediata para restaurar o fluxo sanguíneo ao músculo cardíaco. A rapidez no transporte e no início do tratamento foi apontada como fator determinante para a sobrevivência do paciente.

Alessandro recorda que “o preparo do médico que estava de plantão e a agilidade foram o que salvaram minha vida”. Ele destaca que nem todos têm acesso a um atendimento tão rápido, o que pode transformar um infarto em fatalidade. O executivo, que hoje tem 45 anos, segue em acompanhamento cardiológico e faz uso diário de medicação prescrita, além de ter adotado uma postura mais cautelosa em relação à própria saúde.

Sinais de alerta

Dor forte ou pressão no peito, que pode irradiar para o braço, mandíbula, costas ou se manifestar como desconforto estomacal, são sinais clássicos de infarto. Em alguns casos, a falta de ar, o mal‑estar geral e o suor frio acompanham a dor torácica. O médico recomenda que, ao perceber qualquer um desses sintomas, a pessoa procure imediatamente o serviço de emergência, pois cada minuto de atraso reduz as chances de sobrevivência.

Prevenção cardiovascular

O cardiologista Victor Hugo Cavallini observa que os casos de infarto em pacientes jovens têm aumentado tanto nos consultórios quanto nos hospitais. Segundo ele, o sedentarismo, a alimentação inadequada, a obesidade e o tabagismo são fatores que potencializam o risco. O médico alerta ainda que, nos jovens, a falta de circulação colateral — rede de pequenos vasos que pode compensar parcialmente a obstrução — torna o quadro mais grave, pois as artérias ainda são mais elásticas e não desenvolvem esses vasos de apoio.

No Brasil, são registrados cerca de 1.000 infartos por dia, o que equivale a quase 40 casos por hora. Esses números reforçam a necessidade de manter hábitos preventivos antes que a doença se manifeste. Entre as medidas recomendadas estão a alimentação balanceada, a prática regular de exercícios físicos, o controle da pressão arterial e do colesterol, além de consultas médicas periódicas, mesmo para quem não apresenta fatores de risco reconhecidos.

Sete anos após o evento, Alessandro tem 45 anos e segue sob acompanhamento cardiológico. Ele ainda não praticou atividade física, conforme orientação do médico, que avalia a situação da artéria ainda comprometida. O executivo transformou a experiência em mensagem de alerta: “É remédio para o resto da vida, é se cuidar. Recomendo prevenir, porque a doença está aí. Não deixe para amanhã, pois pode não haver segunda oportunidade”. O Setembro Vermelho, portanto, reforça a importância de reconhecer os sinais e buscar ajuda imediata, evitando que histórias como a de Alessandro se repitam.

O Setembro Vermelho, campanha nacional de conscientização, tem como objetivo informar a população sobre fatores de risco e estimular a busca por exames preventivos. Organizações de saúde divulgam materiais educativos, promovem palestras e incentivam a medição da pressão arterial em locais públicos. A mensagem central reforça que a prevenção deve ser contínua, e não apenas pontual, para reduzir a mortalidade por doenças cardíacas, que ainda são a principal causa de óbito no país.