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Ibovespa supera 192 mil pontos impulsionado por juros dos EUA e Petrobras

Neste cenário, o Ibovespa oscilou entre 192.118,70 pontos na máxima intradiária e 186.144,24 pontos na mínima do dia - Foto: Divulgação/B3

Na sexta‑feira (2), o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 2,63%, atingindo 192.114,55 pontos e reconquistando a faixa histórica dos 190 mil pontos.

O otimismo ocorreu apesar de sinais de fraqueza na indústria nacional e da cautela típica que antecede o processo eleitoral no país, indicando que os investidores priorizaram o cenário externo.

O impulso veio do cenário externo, sobretudo da divulgação do relatório Payroll dos Estados Unidos, que mostrou apenas 29 mil vagas criadas em setembro, muito abaixo das 90 mil esperadas, enquanto a taxa de desemprego recuou para 4,2%.

Com a criação de empregos aquém do previsto, os analistas acreditam que a pressão sobre o Federal Reserve para elevar a taxa Selic americana diminuiu, reduzindo o risco de novos aumentos de juros no curto prazo.

Cenário externo

Nas bolsas de Nova York, o alívio refletiu‑se em alta: o Dow Jones subiu 0,49%, o S&P 500 avançou 0,74% e o Nasdaq, mais sensível a tecnologia, ganhou 1,19%.

O dólar recuou 0,08% frente ao real, cotado a R$ 5,21 ao fim das negociações, enquanto o volume financeiro negociado na B3 somou R$ 42,9 bilhões, com mínima de 186.144,24 e máxima de 192.118,70 pontos.

A Petrobras impulsionou ainda mais o índice ao confirmar a segunda acumulação de petróleo no poço Morpho, localizado na Margem Equatorial, a cerca de 175 km da costa do Amapá; as ações preferenciais (PETR4) fecharam em alta de 2,81%.

A Vale (VALE3) também se beneficiou do otimismo global sobre commodities minerais, registrando ganho de 2,56% e contribuindo para que o Ibovespa ultrapassasse a marca dos 192 mil pontos.

O Ibovespa, que tem grande peso de estatais e de empresas exportadoras de commodities, recebeu suporte adicional das ações de petróleo e mineração, que compõem cerca de 30% do índice.

Desempenho interno

Entretanto, os números da indústria brasileira permaneceram desfavoráveis: a produção industrial recuou 0,6% em agosto em relação a julho, após quedas de 0,1% em julho, 1,0% em maio e 1,6% em junho.

Na carteira teórica, o setor de saúde e o de consumo discricionário lideraram os ganhos, com destaque para Hapvida (HAPV3) (+11,91%), Natura (NATU3) (+10,37%) e Vivara (VIVA3) (+5,62%). As maiores perdas foram modestas, registrando queda de Fleury (FLRY3) (-1,05%), Copasa (CSMG3) (-0,90%) e Minerva (BEEF3) (-0,51%).

O próximo encontro do Federal Reserve, previsto para dezembro, será observado de perto pelos investidores brasileiros, que esperam que a política monetária americana continue em trajetória de contenção, o que poderia sustentar a entrada de capitais em ativos de risco.

Com o alívio nas expectativas de juros nos EUA e a confirmação de novos volumes de petróleo, analistas apontam para a manutenção da tendência de alta, embora alertem que a fraqueza da produção industrial doméstica pode limitar o ritmo de recuperação.