A Justiça de Campo Grande aceitou a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, e outras seis pessoas. O grupo é investigado por suposta organização criminosa que teria desviado R$ 1,97 milhão de recursos públicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão foi assinada em 1º de outubro pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal Residual. Com a recebimento da peça, os acusados se tornaram oficialmente réus no processo. A acusação aponta que o esquema envolveu a contratação irregular da empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços.
Liderança e acusações
O MPMS atribui a Alir Terra Lima a liderança da suposta quadrilha. Segundo os promotores, a então dirigente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora da Santa Casa, participou das principais decisões sobre a contratação e o funcionamento do contrato. Ela responde por organização criminosa, sete episódios de peculato e falsidade ideológica.
Os outros réus são Jary de Castro Carvalho, ex-vice-presidente da ABCG; Rinaldo Hakime Romano, ex-funcionário; Alessandro Dias Junqueira, ex-funcionário; Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, ex-funcionário; Monique Gregório de Oliveira, ex-funcionária; e Maurício Aparecido Benites, empresário. A investigação sustenta que o grupo atuou de forma coordenada entre janeiro de 2024 e setembro de 2026 para beneficiar a Redvalue.
De acordo com a denúncia, a empresa foi escolhida antes mesmo da conclusão do procedimento administrativo. Mensagens obtidas pela investigação indicam que Jary Carvalho teria aproximado o empresário Maurício Benites de Rinaldo Romano e repassado informações internas para a elaboração da proposta comercial. Uma das mensagens citadas na peça judicial contém a frase: “Vamos agilizar e limar essa MV”.
Valores e pagamentos
O MPMS questiona sete pagamentos realizados à Redvalue, que somam R$ 1.970.850. Os valores teriam sido destinados a serviços de digitalização de prontuários que, segundo a acusação, não foram executados conforme o previsto no contrato. Os recursos utilizados tinham origem pública e estavam vinculados ao custeio dos serviços de saúde da Santa Casa.
Os dois primeiros repasses questionados foram de R$ 281.550 cada, realizados em 15 de maio e 25 de junho de 2025. Em 2026, a denúncia aponta outros cinco pagamentos: R$ 563.100, em 12 de março; R$ 422.325, em 27 de março; e três parcelas de R$ 140.775, pagas em 28 de maio, 17 de junho e 3 de julho.
O Ministério Público também questiona um termo aditivo do contrato. O documento teria sido elaborado apenas em 2026, após o início da fiscalização, mas recebeu a data retroativa de 30 de abril de 2025. Alir Terra, Rinaldo Romano, Alessandro Junqueira, Paulo Mariosa e Maurício Benites são acusados de participação nesse episódio, classificado como falsidade ideológica.
Além dos crimes contra a administração pública, a denúncia aponta suspeitas de corrupção. Maurício Benites responde por corrupção ativa, ao ter oferecido, prometido e pago vantagens indevidas a Jary Carvalho e Rinaldo Romano para facilitar a liberação dos pagamentos. Os dois respondem por corrupção passiva. A investigação identificou saques em dinheiro vivo após os repasses. Em um dos casos, depois de um pagamento de R$ 281.550, houve um saque de R$ 49.200 no mesmo dia.
Jary Carvalho é o único dos sete réus que está em liberdade. O MPMS pediu a prisão preventiva dele, mas o juiz não analisou o mérito do pedido na decisão que recebeu a denúncia. A solicitação deverá ser apresentada em um processo separado, aguardando nova análise judicial.








