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215 crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul identificados em trabalho infantil 2026

Dados do Ministério do Trabalho mostram 52 menores identificados em situação de trabalho infantil em Campo Grande nos primeiros sete meses do ano - Reprodução/Agência Brasil

Em 2026, 215 crianças e adolescentes foram identificados em trabalho infantil em Mato Grosso do Sul, 52 em Campo Grande. O país registrou 3.322 casos.

Os números foram extraídos do Painel de Informações Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil – Radar SIT – que reúne registros das ações de fiscalização realizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Estatísticas 2026

No estado, as fiscalizações identificaram 215 crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil nos primeiros sete meses de 2026. Em 2025, o painel registrou 235 menores nessa condição.

Em Campo Grande, os números aumentaram de 29 em 2025 para 52 em 2026, refletindo uma tendência de crescimento na capital do estado.

Atividades mais graves

O Radar SIT também registra atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil. Em Mato Grosso do Sul, foram 366 registros de manutenção, limpeza e lavagem, 178 de uso de instrumentos ou ferramentas, 127 de trabalhos prejudiciais à moralidade e 114 de atividades na pecuária.

Esses números correspondem às ocorrências registradas nas categorias do painel e não devem ser interpretados como a quantidade de crianças envolvidas em cada atividade, nem somados ao total de menores identificados em situação de trabalho infantil.

A Constituição Federal, no artigo 7º, inciso XXXIII, proíbe o trabalho antes dos 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 anos, e veda atividades noturnas, perigosas ou insalubres para menores de 18 anos.

O artigo 403 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) reforça a restrição e determina que o trabalho não pode prejudicar o desenvolvimento físico, psíquico, moral e social do adolescente, nem impedir a frequência à escola.

O artigo 67 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe que adolescentes exerçam atividades noturnas, perigosas, insalubres ou penosas, além de trabalhos que comprometam a formação e a frequência escolar.

Essas restrições buscam garantir que crianças e adolescentes tenham seus direitos à educação, ao lazer, à saúde e ao desenvolvimento respeitados, especialmente em uma fase da vida dedicada à formação e à convivência social.

O Ministério do Trabalho e Emprego continua monitorando a situação, enquanto órgãos estaduais e municipais intensificam ações de fiscalização para reduzir a incidência de trabalho infantil no estado.

Até o presente momento, não há planos de intervenção específicos divulgados, mas o painel indica que a tendência de queda observada em 2025 não se manteve em 2026, exigindo atenção contínua.

Além das estatísticas, as autoridades estaduais destacam a necessidade de fortalecer programas de educação e inclusão social nas comunidades rurais, onde a maioria dos casos de trabalho infantil é registrada.

Os dados também revelam que, apesar das leis vigentes, a aplicação prática ainda enfrenta desafios, como a falta de fiscalização em áreas de difícil acesso e a resistência de empregadores que dependem da mão‑de‑obra infantil.

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