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Operação Colete de Troia investiga entrada de drogas e celulares na Penitenciária de Dourados

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou nesta quarta‑feira, 21 de setembro, a Operação Colete de Troia, voltada a investigar um suposto esquema que utilizava policiais penais para introduzir drogas, celulares e outros itens ilícitos na Penitenciária Estadual de Dourados (PED). A ação, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), tem como objetivo impedir a circulação de entorpecentes e equipamentos de comunicação dentro do estabelecimento prisional.

Para cumprir a ordem judicial, as equipes do Gaeco executaram dez mandados de busca e apreensão em quatro municípios: Dourados, Ivinhema e Rio Brilhante, todos em Mato Grosso do Sul, e Paranavaí, no Paraná. A investigação, iniciada em meados de 2024, concentra Dourados como ponto central porque, segundo o próprio Gaeco, os produtos ilícitos teriam como destino final as dependências da PED. O MPMS acompanha de perto o desdobramento das diligências.

Investigação em curso

De acordo com o material divulgado pelo Ministério Público, os policiais penais investigados teriam se valido da confiança inerente ao cargo para subverter deveres funcionais e facilitar a entrada de drogas, celulares e outros objetos proibidos na unidade prisional. O Gaeco também aponta o uso de drones como ferramenta para lançar ou transportar os itens até a área interna da penitenciária, ampliando a complexidade do esquema criminoso.

Até o momento da publicação, o documento oficial não informou quais materiais foram efetivamente apreendidos nem descreveu o conteúdo das buscas. A ausência de dados impede a verificação do volume de drogas ou de aparelhos eletrônicos retirados da circulação dentro da penitenciária, mantendo a população e as autoridades em expectativa sobre a extensão do problema. Autoridades ainda avaliam a possibilidade de ampliar as buscas para outras unidades do estado.

A operação contou com o apoio da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Choque, do Comando de Operações Penitenciárias (Cope), da Gerência de Inteligência Penitenciária e da Corregedoria da Agepen, além da colaboração do Gaeco do Paraná. Um representante da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) acompanhou diligências realizadas na residência de uma advogada, demonstrando a preocupação do segmento jurídico com eventuais violações de direitos.

O nome “Colete de Troia” remete ao mito do Cavalo de Troia, indicando que a confiança conferida ao colete – neste caso, ao cargo de policial penal – teria sido usada como dissimulação para infiltrar o crime organizado na penitenciária. O MPMS ainda não divulgou prisões ou indiciamentos, mas afirmou que as investigações seguem em curso e que novos desdobramentos poderão ser anunciados nas próximas semanas, mantendo a sociedade atenta ao combate ao tráfico interno nas unidades prisionais.