A médica patologista Gisele Iguma, responsável pela Lapac, laboratório com mais de 50 anos em Dourados, reforçou que a prevenção ao câncer de mama deve ultrapassar o Outubro Rosa e que a mamografia anual a partir dos 40 anos é essencial.
Iguma explicou que a mamografia é um exame semelhante a um raio‑X, capaz de identificar pequenos nódulos, microcalcificações e lesões em fase inicial. Quando o câncer de mama é detectado precocemente, a mulher tem mais de 95% de chance de cura e pode passar por tratamentos menos agressivos.
Ela destacou que a mensagem do Outubro Rosa deve ser 12 meses de cuidado, não apenas o mês de outubro, e respondeu dúvidas de ouvintes sobre dor, histórico familiar, obesidade, uso de sutiã, prótese de silicone e sinais de alerta.
A médica esclareceu que o fator hereditário responde por cerca de 10% dos casos de câncer de mama; os outros 90% envolvem estilo de vida e fatores ambientais, alertando que nenhuma mulher está livre do risco.
Importância da mamografia
Segundo Iguma, o exame deve ser realizado anualmente a partir dos 40 anos, não aos 50, e está diretamente ligado à redução da mortalidade por câncer de mama. O desconforto existe, mas costuma ser suportável e varia conforme a sensibilidade de cada paciente.
Ela recomenda evitar o exame no período do mês em que as mamas ficam mais sensíveis e observa que os aparelhos estão cada vez mais modernos, diminuindo o incômodo.
Sobre a dor como sintoma, Iguma afirmou que, nas fases iniciais, a doença normalmente não provoca dor; esperar por dor ou alterações visíveis pode atrasar o diagnóstico.
Os sinais de alerta listados pela médica incluem presença de nódulo, secreção espontânea (vermelhada ou com sangue), alterações na pele ou no mamilo, retrações, vermelhidão, irritação e nódulos na axila. Ela ressaltou que o autoexame ajuda a conhecer o próprio corpo, embora não substitua a mamografia.
Mitos desmistificados
Iguma desmontou mitos comuns: usar sutiã, inclusive para dormir, não tem relação com o desenvolvimento do câncer; pancadas na mama não causam a doença, embora possam chamar a atenção para alterações já existentes.
Mulheres com prótese de silicone podem fazer mamografia; existem técnicas específicas e incidências diferentes para avaliar a mama sem deixar de investigar possíveis alterações.
A médica também abordou a saúde mental, afirmando que a depressão não causa câncer, mas pode levar ao abandono de consultas, atividade física e autocuidado, aumentando o risco de diagnóstico tardio.
Ao final da entrevista, Iguma fez um apelo: “Mulheres, se olhem, sejam a sua prioridade.” Ela reforçou que informação de qualidade salva vidas e orientou que quem perceber algum sinal de alerta procure um médico de confiança ou unidade de saúde, insistindo quando algo não parece normal.
A entrevista, transmitida no programa Microfone Aberto da Massa FM, reforça a necessidade de manter a mamografia como rotina, independentemente de histórico familiar, e destaca que a prevenção contínua pode reduzir significativamente a mortalidade por câncer de mama no Brasil.








