A Prefeitura de Três Lagoas, localizada a 311 km de Campo Grande, melhorou sua avaliação na Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional. O município subiu da nota B para B+ no ranking oficial. A atualização, divulgada em setembro, considera as contas do exercício de 2025. Com o novo selo, a cidade permanece apta a solicitar a garantia da União para contratar empréstimos.
O avanço na nota final não alterou a letra base B, mas adicionou o sinal positivo. Esse diferencial é concedido às prefeituras que alcançam a nota máxima no ranking de qualidade da informação contábil e fiscal. Em Três Lagoas, essa avaliação específica passou de B para A. O ranking mede a precisão e a transparência dos dados enviados ao governo federal, um critério técnico que influencia a percepção de solidez das finanças locais.
Indicadores e desempenho
A Capag não substitui o julgamento das contas pelo Tribunal de Contas. Sua função é medir se o município possui fôlego financeiro para assumir novas dívidas. A análise se baseia em três pilares: nível de endividamento, gasto corrente e liquidez de caixa. A combinação desses fatores, somada à qualidade da informação, define a nota final que libera ou restringe o acesso a linhas de crédito com aval federal.
No indicador de endividamento, a dívida consolidada da prefeitura caiu de 12,2% para 11,1% da receita corrente líquida. Em 2025, essa receita somou R$ 1,11 bilhão. Ao final do ano, o total da dívida da administração municipal era de R$ 122,5 milhões. Com essa redução, a nota do indicador de endividamento se manteve em A, o patamar mais alto da escala.
No quesito gasto corrente, o Tesouro utiliza uma média ponderada de três anos, dando maior peso ao exercício mais recente. Em Três Lagoas, essa média passou de 90,1% para 90,4% da receita corrente. A nota do indicador permaneceu em B. Considerando apenas o ano de 2025, as despesas correntes consumiram 90,5% da receita, uma queda em relação aos 91,7% registrados em 2024, segundo os dados da planilha oficial do Tesouro.
A liquidez de caixa também manteve a nota B. Em 2025, o Tesouro não identificou falta de dinheiro livre para cobrir as contas a pagar. Na avaliação anterior, havia uma insuficiência de cerca de R$ 69,2 mil. A estabilidade nesse ponto indica que o município conseguiu equilibrar suas obrigações imediatas sem comprometer a reserva financeira disponível.
Contexto e próximos passos
As contas avaliadas correspondem a 2025, primeiro ano do mandato do prefeito Dr. Cassiano Maia (PP), eleito em 2024 pelo PSDB. A mudança na nota reflete o desempenho administrativo desse início de gestão. A manutenção da aptidão para crédito é um ponto estratégico para a cidade, que pode buscar recursos para investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
Com a nota A ou B, a prefeitura pode pedir a garantia da União em operações de crédito. Nesse modelo, o governo federal se compromete a pagar o banco credor caso o município não honre as parcelas. O Tesouro Nacional ressalva que a nota publicada serve como referência inicial, mas não vincula a análise final de cada pedido específico de empréstimo.
No cenário estadual, 64 das 79 prefeituras de Mato Grosso do Sul estão aptas a buscar esse aval, contra 51 na avaliação anterior. Dourados, a 201 km de Campo Grande, teve a mesma evolução de Três Lagoas e também passou para a nota B+. Paranaíba, a 393 km da capital, subiu de B para A. O Tesouro atualiza a planilha da Capag a cada quatro meses, o que significa que a próxima revisão ocorrerá no primeiro trimestre de 2026.
Os dados completos estão disponíveis no portal Tesouro Transparente, na seção de Capacidade de Pagamento de Municípios. A transparência desses números permite que gestores e cidadãos acompanhem a saúde fiscal da cidade. A melhora na qualidade da informação contábil é um passo importante para fortalecer a confiança de investidores e órgãos de controle sobre a administração pública local.







