A safra de abacaxi entrou no período mais intenso em Sidrolândia, município situado na região central de Mato Grosso do Sul. Pequenos produtores rurais transformaram a fruta em peça-chave do planejamento agrícola local, ampliando a diversificação de cultivos e elevando a renda das famílias envolvidas.
Colheita manual exige agilidade
Os trabalhos começam logo nas primeiras horas da manhã. Em meio ao calor e às folhas espinhosas, equipes percorrem as fileiras cortando fruto por fruto de maneira totalmente manual. A retirada precisa ocorrer assim que o ponto de maturação é atingido. Qualquer atraso provoca perda de qualidade, o que pode comprometer o preço obtido no mercado.
O processo, além de físico, demanda atenção constante. Temperaturas elevadas e a incidência direta do sol exigem que a colheita seja planejada diariamente. Quando o calor se intensifica, o risco de queima nos frutos aumenta, reforçando a necessidade de agilidade na retirada e no transporte até o galpão de classificação.
Assentamento São Pedro se destaca
A cerca de 50 quilômetros da área urbana, no assentamento São Pedro, o agricultor Antônio Barbosa Ghizoni apostou no cultivo do abacaxi como alternativa para complementar a renda familiar. A estratégia ganhou escala: a colheita desta temporada deve alcançar aproximadamente 45 mil unidades, com áreas adicionais já plantadas para as safras seguintes.
O cronograma de Ghizoni inclui variedades direcionadas a mercados específicos. O abacaxi pérola abastece comércio local, feiras livres e vendedores ambulantes. Já o abacaxi Havaí segue para centros atacadistas, inclusive a Ceasa, onde encontra demanda de redes varejistas de maior porte. O planejamento por variedade permite ajustar o tamanho do fruto e o teor de açúcar às exigências de cada comprador.
Manejo intensivo durante todo o ano
Mato Grosso do Sul apresenta condições climáticas favoráveis ao abacaxi, com temperaturas médias elevadas e solos de boa drenagem. Mesmo assim, o manejo requer cuidados permanentes. A agricultora Creidiany Peixoto Ghizoni destaca que a exposição prolongada ao sol provoca manchas na casca e prejudica a polpa. Para evitar danos, os produtores utilizam embalagens protetoras individualizadas, aplicam adubação direcionada e monitoram pragas durante os doze meses do ano.
Esse acompanhamento garante que o fruto chegue ao consumidor com calibre uniforme, teor de açúcar apropriado e boa vida de prateleira. Além disso, a padronização facilita o fechamento de contratos com atacadistas e reduz perdas no transporte até os principais centros de distribuição.
Expansão da oferta e manutenção de preços
Dados da cadeia produtiva indicam que a produção estadual deve atingir 5,4 mil toneladas em 2026, volume 13 % superior ao estimado para o ciclo anterior. Apesar da expansão, o valor pago ao produtor permanece em patamar elevado. Em algumas propriedades, o quilo é negociado por até R$ 5, acréscimo de cerca de 11 % na comparação anual.
O desempenho de preços é atribuído ao crescimento da demanda por frutas frescas e ao aumento do consumo interno em regiões urbanas. Sidrolândia abastece não apenas o mercado local, mas também Campo Grande, Dourados e outras cidades sul-matogrossenses, fortalecendo cadeias curtas de comercialização e gerando receita adicional ao comércio regional.
Impacto econômico para a agricultura familiar
A consolidação do abacaxi como cultura permanente modificou a estrutura de renda de diversas unidades familiares. Antes focadas em produções temporárias de hortaliças e grãos, muitas propriedades passaram a contar com um fluxo de caixa mais previsível durante todo o ano. O ciclo do abacaxi, que varia entre 14 e 18 meses desde o plantio até a colheita, possibilita escalonar plantios e, consequentemente, as receitas.
Esse resultado vem estimulando novos agricultores a aderirem ao cultivo. Técnicos de extensão rural relatam aumento na procura por mudas, orientações de manejo e acesso a linhas de crédito específicas. A perspectiva é que a área plantada continue em expansão moderada, acompanhando a demanda regional e evitando excedentes que pressionem os preços.
Logística e mercado regional
A localização de Sidrolândia, cortada por rodovias que ligam o município aos principais polos consumidores do estado, favorece a distribuição rápida. Caminhões refrigerados ou carrocerias abertas cobertas por lonas transportam as cargas no mesmo dia da colheita, garantindo que o produto chegue fresco às centrais de abastecimento.
O mercado também absorve parte da produção para processamento em sucos e polpas congeladas, segmento que vem ganhando espaço devido ao consumo de alimentos práticos. Essa diversificação amplia as opções de venda e dilui riscos em períodos de menor procura por fruta in natura.
Com manejo intensivo, preços estáveis e demanda firme, o abacaxi consolida-se como importante vetor de geração de renda para pequenos produtores de Sidrolândia, reforçando o papel da agricultura familiar na economia de Mato Grosso do Sul.









