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Adesão da termelétrica de Três Lagoas amplia greve nacional no Sistema Petrobras

A Usina Termelétrica Luiz Carlos Prestes, instalada em Três Lagoas (MS) e administrada pela Petrobras, aderiu na quarta-feira, 17 de janeiro, à greve que mobiliza trabalhadores de diversas unidades do Sistema Petrobras em todo o país. A paralisação chegou ao quinto dia na sexta-feira, 19, sem avanço nas negociações, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que coordena o movimento.

A categoria reivindica quatro pontos principais: encerramento dos equacionamentos do plano previdenciário Petros, restituição de direitos suprimidos nos últimos anos, repartição considerada mais equilibrada da riqueza produzida pela companhia e fortalecimento de uma Petrobras integrada e orientada ao interesse nacional. Até o momento, a estatal não se posicionou publicamente sobre essas demandas.

Alcance da mobilização

Com a entrada dos empregados da termelétrica sul-mato-grossense, a FUP contabiliza a participação de cinco usinas termelétricas no movimento, além de 28 plataformas marítimas, 16 terminais da Transpetro, nove refinarias, duas unidades de biodiesel, duas plantas de tratamento de gás, duas estações de compressão da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), cinco campos terrestres localizados na Bahia, a Estação de Transferência do Parque São Sebastião e o prédio administrativo da Petrobras em Natal (RN).

A UTE Luiz Carlos Prestes é citada pela federação como estratégica para a segurança do sistema elétrico nacional, pois complementa a oferta de fontes renováveis em períodos de maior demanda ou menor geração hidrelétrica. O aporte de seus trabalhadores amplia o leque de instalações afetadas pela greve, aumentando a pressão por diálogo entre empresa e sindicatos.

Questão dos contingentes mínimos

Apesar da paralisação abrangente, as instalações da Petrobras mantêm equipes de contingência responsáveis por atividades essenciais à operação e à segurança industrial. De acordo com a FUP, entretanto, a companhia não tem negociado com os sindicatos a composição desses efetivos. Dirigentes sindicais alegam que trabalhadores estariam sendo submetidos a longas jornadas consecutivas, sob risco de fadiga e acidentes, sobretudo em refinarias e plataformas.

As entidades laborais defendem que a definição das escalas mínimas envolva representantes dos empregados para assegurar padrões adequados de segurança durante a greve. Elas também relatam episódios de assédio moral e pressão sobre equipes que permanecem em serviço, situação que, segundo os sindicalistas, reforça a necessidade de mediação.

Impasse nas negociações

Até a manhã de sexta-feira, 19, não havia sinalização de reunião entre a direção da Petrobras e a FUP. A federação informa que protocolou ofício solicitando diálogo ainda antes do início da paralisação, mas não obteve resposta. Sem acordo, a greve prossegue por tempo indeterminado, com possibilidade de ampliação caso outras bases operacionais decidam aderir.

A legislação trabalhista prevê a manutenção de atividades essenciais nas áreas de petróleo e gás durante movimentos paredistas, o que se reflete no funcionamento dos contingentes de segurança em plataformas, refinarias, terminais e termelétricas. Mesmo assim, a continuidade da mobilização pode afetar cronogramas de produção, logística e distribuição, a depender da duração do impasse e do nível de adesão observado em cada instalação.

Repercussão local

Em Três Lagoas, a adesão foi confirmada pelos sindicatos que representam o segmento de petróleo e gás no Mato Grosso do Sul. A usina termelétrica local opera a gás natural e tem capacidade para contribuir com a estabilidade do sistema elétrico regional, além de apoiar o fluxo energético nacional em períodos críticos. A paralisação do efetivo de rotina não interrompeu, até o momento, a geração, graças às equipes de contingência mantidas na planta.

Autoridades estaduais acompanham a movimentação, mas não divulgaram estimativas de impacto sobre o abastecimento de energia. O governo federal também não emitiu nota oficial acerca da greve nem sobre suas eventuais consequências para o setor de óleo, gás e combustíveis.

Próximos passos

A FUP afirma que continuará articulando assembleias em cada unidade para avaliar o andamento da paralisação e definir estratégias. Os sindicatos não descartam ampliar as mobilizações caso a Petrobras permaneça sem negociações. Paralelamente, a federação estuda acionar órgãos públicos trabalhistas para tratar das denúncias de suposto assédio nas áreas operacionais.

Enquanto perdurar o impasse, a continuidade da greve dependerá do equilíbrio entre a pressão sindical e a resposta da companhia. Trabalhadores da termelétrica de Três Lagoas, assim como os de outras unidades, mantêm apoio ao movimento, reforçando a abrangência nacional da paralisação que, em cinco dias, já abrange grande parte das operações da maior empresa de energia do país.