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Adolescente de 15 anos é flagrada duas vezes em quatro dias transportando skunk em Ponta Porã

Ponta Porã (MS) – Uma adolescente de 15 anos foi apreendida duas vezes, com intervalo de apenas quatro dias, por transportar skunk em ônibus intermunicipais que circulam pela região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai. As duas ocorrências foram registradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-463, rodovia que liga Ponta Porã a Dourados, a cerca de 120 quilômetros de distância.

A primeira abordagem ocorreu na quinta-feira, 2 de maio. Durante fiscalização de rotina em um coletivo que seguia pela BR-463, agentes da PRF localizaram duas malas que, segundo a etiqueta de identificação, estavam associadas à passageira menor de idade. Dentro das bagagens havia cerca de 15,5 quilos de skunk, variedade de maconha de maior concentração de THC. A jovem foi imediatamente apreendida e encaminhada, junto ao material entorpecente, à Delegacia da Polícia Civil em Ponta Porã para os procedimentos cabíveis previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Mesmo após o primeiro flagrante, a adolescente voltou a ser interceptada na segunda-feira, 6 de maio. O ônibus em que viajava também foi parado em operação de fiscalização da PRF na mesma rodovia. Na entrevista inicial, a passageira informou que retornava de Ponta Porã, declarou não portar bagagens e apresentou documentação pessoal. Desconfiados da informação, os agentes consultaram o sistema de vendas de passagens e verificaram que, no momento do embarque, havia sido despachada uma mala em nome da jovem.

Com a confirmação do bilhete e do volume registrado no compartimento de carga, os policiais abriram a bagagem para vistoria. Dentro da mala, foram encontrados 16,4 quilos de skunk embalados em pacotes plásticos. Diante da reincidência, a equipe da PRF deu voz de apreensão à adolescente e recolheu o entorpecente. Assim como no primeiro caso, todo o material e a menor foram apresentados à Polícia Civil de Ponta Porã, responsável pela continuidade das apurações.

Por se tratar de uma pessoa com menos de 18 anos, o inquérito tramita em sigilo, conforme determina a legislação brasileira. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o destino provável da droga, o valor que seria pago pelo transporte nem a eventual participação de terceiros no esquema. Investigadores trabalham para esclarecer se a adolescente foi aliciada por organizações criminosas que atuam na fronteira e se há outros menores recrutados na mesma rota.

O ponto de fiscalização onde ocorreram ambos os flagrantes está situado em trecho estratégico da BR-463, corredor frequente de tráfico de drogas devido à proximidade com o Paraguai. O skunk apreendido possui preço de mercado superior ao da maconha comum, fator que, segundo policiais, motiva tentativas repetidas de transporte em ônibus, carros de passeio e caminhões que deixam a fronteira em direção a centros consumidores do interior de Mato Grosso do Sul e de outros estados.

Em ambos os flagrantes, os procedimentos adotados seguiram o previsto no artigo 172 do ECA, que determina a apresentação imediata do adolescente à autoridade policial competente e a comunicação do fato ao Ministério Público. A jovem permanece à disposição da Justiça e poderá ser internada provisoriamente, medida socioeducativa aplicada em casos de atos infracionais graves, até conclusão do processo.

As apreensões reforçam a preocupação das forças de segurança com o recrutamento de menores para atividades ilícitas. Dados da PRF indicam aumento da participação de adolescentes no transporte de drogas na fronteira sul-matogrossense, cenário atribuído à promessa de pagamento rápido e ao entendimento, por parte das organizações criminosas, de que a legislação oferece tratamento diferenciado a pessoas abaixo de 18 anos.

Além das investigações sobre o destino do carregamento e possíveis mandantes, a Polícia Civil apura a origem exata do skunk. A suspeita inicial é de que a droga tenha sido introduzida no Brasil a partir de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz divisa com Ponta Porã e serve como ponto de armazenamento de entorpecentes destinados ao mercado brasileiro.

Até o fechamento desta reportagem, a PRF não havia informado se familiares ou responsáveis legais da adolescente foram localizados ou se a menor prestou novos esclarecimentos. A corporação também não revelou se houve cooperação internacional para rastrear fornecedores do entorpecente do lado paraguaio da fronteira.

Os 31,9 quilos de skunk apreendidos nas duas ocorrências permanecem armazenados em depósito da Polícia Civil, aguardando autorização judicial para destruição. As diligências continuam sob sigilo, e novas informações deverão ser divulgadas somente após conclusão dos laudos periciais e eventuais pedidos do Ministério Público à Vara da Infância e Juventude de Ponta Porã.

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