Em Três Lagoas, no interior de Mato Grosso do Sul, um projeto conduzido por um estudante de apenas 12 anos reforça a importância das iniciativas locais de preservação ambiental. Hector Luis Gonçalves de Oliveira, aluno da Escola Estadual Dom Aquino Corrêa, transformou o quintal de casa em um viveiro caseiro e vem produzindo mudas de árvores destinadas ao Parque de Preservação Ambiental, conhecido como A Cascalheira, situado entre as lagoas que dão nome ao município.
A ação começou dentro da própria família. O pai de Hector, praticante de trilhas no parque, incentivou o filho a cultivar sementes e plântulas em recipientes simples, reaproveitando garrafas plásticas e potes vazios. Depois de germinar as espécies, pai e filho transportam as mudas para áreas de mata degradada nas proximidades da prainha, parte tradicional do percurso utilizado por grupos de caminhantes e ciclistas. Nessas ocasiões, recebem o apoio do grupo de aventureiros ao qual se juntaram voluntariamente, ampliando o plantio além dos limites do núcleo familiar.
O sistema criado por Hector no quintal inclui uma parte coberta por tela de sombreamento para proteger as plantas do sol mais forte e da ação direta da chuva. Entre as espécies que melhor se adaptaram ao espaço estão goiabeiras, sobretudo uma variedade de goiaba roxa. Essa muda específica foi entregue pela avó do adolescente há cerca de três anos e, segundo ele, tornou-se símbolo do projeto por representar a ligação de três gerações em torno da mesma causa.
Quando não está na escola ou no viveiro, o garoto acompanha o pai nas vistorias informais pelo parque. Nessas visitas, observa o estado da vegetação nativa, verifica pontos de erosão e identifica locais onde novos plantios podem auxiliar na recomposição da cobertura arbórea. O estudante relata que a região da Cascalheira enfrenta retirada frequente de árvores, fato que o motiva a intensificar o plantio. De acordo com Hector, a reposição de espécies serve para garantir abrigo a pequenos mamíferos, aves e insetos que dependem da mata para se alimentar e se reproduzir.
As aulas de educação ambiental oferecidas pela Escola Estadual Dom Aquino Corrêa complementam o aprendizado prático. Professores apresentam conceitos de biodiversidade, reciclagem e uso responsável dos recursos naturais, conteúdo que o estudante coloca em prática no viveiro doméstico. Ele afirma que copiar experiências de sala de aula diretamente no dia a dia reforça a convicção de que pequenas atitudes geram resultados concretos.
Luana, mãe do adolescente, acompanha o processo desde os primeiros passos e confirma que o interesse do filho pela natureza surgiu ainda na infância. Segundo ela, o primeiro contato de Hector com temas ambientais ocorreu por meio do cuidado com animais, especialmente cavalos. A visão de plantio urbano, entretanto, passou a predominar quando o menino percebeu que árvores plantadas hoje podem durar décadas, entregando sombra, frutos e equilíbrio ao ecossistema local.
O engajamento do estudante tem chamado a atenção na vizinhança. Moradores do bairro, ao notar o movimento de mudas entrando e saindo do quintal, passaram a oferecer sementes, solo rico em matéria orgânica e embalagens reutilizáveis. Em algumas ocasiões, vizinhos acompanham o transporte das plantas até a trilha, fortalecendo o senso de comunidade e contribuindo para ampliar a área reflorestada.
Mesmo com a rotina dividida entre estudos, viveiro, trilhas e tarefas domésticas, Hector já planeja a carreira profissional. O adolescente revela interesse em biologia ou zootecnia, formações que, na visão dele, possibilitam atuar diretamente com fauna, flora e sistemas de produção sustentáveis. Ele acredita que a formação superior poderá aprofundar o conhecimento científico necessário para iniciativas de maior escala.
As atividades de plantio ocorrem em finais de semana e feriados, períodos em que o fluxo de visitantes no parque costuma aumentar. A presença de famílias caminhando pelas trilhas ajuda a divulgar o trabalho desenvolvido e estimula novas parcerias. Hector relata que muitas pessoas demonstram surpresa ao descobrir que as árvores mais jovens ao longo do trajeto foram produzidas em condições domésticas, reforçando que ações simples podem gerar impacto visível em poucos anos.
Embora não exista registro oficial da quantidade exata de mudas já inseridas na Cascalheira, o estudante estima ter implantado dezenas de exemplares apenas no último ano letivo. Entre as principais metas para os próximos meses está a produção de espécies nativas mais raras, que requerem cuidados adicionais durante a fase de germinação. A família busca orientação de técnicos locais para garantir que as introduções respeitem as características originais do bioma.
O caso de Hector demonstra como a preservação ambiental pode começar dentro de casa e ganhar escala comunitária. A prática de cultivar mudas, mobilizar vizinhos e ocupar áreas públicas com plantios planejados cria um ciclo de participação coletiva, fortalecendo a proteção dos recursos naturais da cidade. Enquanto continua distribuindo novas árvores pelo parque, o jovem estudante reafirma a intenção de manter o projeto ativo e inspirar outros moradores de Três Lagoas a fazer o mesmo.
Com o avanço do trabalho voluntário, a comunidade observa resultados diretos na paisagem do parque e na conscientização dos frequentadores. As ações de Hector, aos 12 anos, evidenciam que iniciativas individuais podem contribuir para a recuperação de áreas degradadas e estimular comportamentos sustentáveis em diferentes faixas etárias.









