Mato Grosso do Sul registrou avanço de 18,6% no Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário, porcentual que coloca o Estado na liderança do crescimento do setor no país. O resultado, acima da média nacional, decorre da combinação entre políticas públicas de apoio ao produtor, modernização tecnológica, diversificação da produção e gestão empresarial dentro das propriedades rurais.
A trajetória de expansão pode ser observada em diversos municípios sul-matogrossenses. Na região de Bandeirantes, próxima à rodovia MS-245, a Fazenda Cachoeirão exemplifica a transformação produtiva ocorrida nas últimas décadas. Fundada em 1952, a área originalmente se destinava à pecuária extensiva, então uma das poucas alternativas econômicas viáveis no Cerrado local.
O primeiro salto de produtividade veio com a introdução de novas variedades de pastagens e técnicas de manejo, processo intensificado a partir de 1991, quando a administração familiar foi renovada. As mudanças incluíram controle de custos, manejo rotacionado e aumento gradual da lotação animal, criando as bases para uma operação mais eficiente.
Em 2005, a fazenda adotou o sistema de integração entre agricultura e pecuária. Apesar do solo arenoso, considerado de menor fertilidade, investimentos em correção química, plantio direto e planejamento agronômico permitiram incluir culturas de grãos com desempenho competitivo. O modelo elevou a rentabilidade por hectare e otimizou o uso do solo durante o ano inteiro.
Hoje, a Cachoeirão cultiva milho, soja e feijão com apoio de irrigação para reduzir a exposição a variações climáticas. Na pecuária, opera o ciclo completo: cria, recria, cruzamento industrial, melhoramento genético, confinamento e abate de animais precoces. A integração garante sinergia entre lavoura e gado, aumenta a oferta de alimento para o rebanho e melhora a qualidade do solo.
A estrutura da propriedade soma 7.500 hectares, dos quais 22% permanecem como reserva legal. O restante divide-se entre pastagens e lavouras, organizadas de forma a preservar recursos naturais e manter a sustentabilidade econômica. A equipe fixa conta com 37 funcionários registrados, complementada por trabalhadores terceirizados em períodos de pico.
Outro pilar do desempenho consiste no planejamento sucessório. As novas gerações da família já participam da gestão, garantindo continuidade às práticas de controle financeiro, análise de indicadores e uso de tecnologias de precisão. Esse perfil reflete uma tendência estadual: fazendas cada vez mais profissionalizadas, com governança clara e foco em produtividade sustentável.
Fora do âmbito da soja e do milho, a diversificação produtiva tem fortalecido o agronegócio sul-matogrossense. O Estado desponta na produção de carne bovina com padrão de qualidade reconhecido, expande a suinocultura, desenvolve a piscicultura de água doce, amplia áreas de amendoim e citros e consolida a indústria de celulose. A variedade de cadeias reduz a dependência de poucos itens e mitiga os efeitos de oscilações de preços internacionais.
O ambiente favorável ao campo é reforçado por programas oficiais voltados a diferentes segmentos. Entre eles estão o Proape, que apoia a produção agropecuária; o Precoce MS, focado na entrega de bovinos jovens e bem-acabados; o Leitão Vida, direcionado à suinocultura; e o Peixe Vida, que estimula a piscicultura. Iniciativas complementares, como o programa Carne Sustentável, voltado à criação bovina no Pantanal, e o Prosolo, que trata do manejo e conservação do solo e da água, integram uma carteira coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.
A soma de incentivos governamentais, adoção de tecnologias de ponta e administração profissional cria um cenário propício à expansão contínua. Com crescimento acima da média nacional e base econômica diversificada, Mato Grosso do Sul consolida sua posição como referência no agronegócio brasileiro, sustentado por planejamento, inovação e investimentos permanentes.








