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Agroindústrias de MS obtêm Selo ARTE e ampliam alcance nacional de produtos artesanais

Agroindústrias familiares de Mato Grosso do Sul passaram a oferecer seus produtos em todo o território brasileiro após conquistar o Selo ARTE, certificação federal que autoriza a comercialização interestadual de alimentos artesanais de origem animal. Três itens receberam o reconhecimento: o Salame Pantaneiro, produzido pela Nostra Charcuterie, de Campo Grande; o Queijo Nicola; e a Manteiga de Garrafa, ambos elaborados pela agroindústria Vaca Braba, no município de Anastácio.

A certificação foi obtida por empreendimentos acompanhados pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria, programa do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Mato Grosso do Sul (Senar/MS). O suporte inclui orientações sobre adequações sanitárias, gestão do negócio e organização dos processos, fatores que contribuíram para o atendimento dos requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Reconhecimento nacional e valorização regional

Criado para identificar produtos artesanais que utilizam matérias-primas locais e preservam métodos tradicionais de fabricação, o Selo ARTE possibilita que agroindústrias legalizadas ultrapassem as fronteiras estaduais sem abrir mão da rastreabilidade e da segurança alimentar. Para os produtores sul-matogrossenses, o registro representa a chance de ampliar a carteira de clientes, agregar valor aos itens comercializados e reforçar a identidade gastronômica do estado.

No caso da Vaca Braba, a conquista marca uma etapa decisiva desde o início do acompanhamento técnico, em 2022. A propriedade, inserida nos programas ATeG Bovinocultura de Leite e ATeG Agroindústria, passou por adequações estruturais, ajustes de rotulagem e padronização de processos. Com o selo nos rótulos do Queijo Nicola e da Manteiga de Garrafa, a expectativa é aumentar a produção sem perder o caráter artesanal que distingue cada lote.

Já a Nostra Charcuterie investiu em planejamento e reorganização das etapas de fabricação para atender às normas de boas práticas exigidas para o Salame Pantaneiro. A adoção de controles de temperatura, higiene rigorosa dos ambientes e registros detalhados facilitou a auditoria e resultou na autorização para venda nacional do embutido.

Processo supervisionado passo a passo

Para obter o selo, as agroindústrias precisam comprovar a origem da matéria-prima, detalhar o modo de preparo e garantir que todo o processo siga padrões sanitários definidos em legislação. A equipe da ATeG Agroindústria acompanha a coleta de documentos, orienta a elaboração do manual de boas práticas e apoia a implantação de melhorias estruturais, o que torna o procedimento mais acessível ao produtor.

Segundo a coordenação do programa, a certificação fortalece não somente os empreendimentos contemplados, mas também a imagem de Mato Grosso do Sul como polo de alimentos artesanais de qualidade. Cada produto registrado leva ao consumidor informações sobre procedência, técnicas empregadas e cuidado na manufatura, fatores que se refletem em maior confiança do mercado.

Números em expansão

A emissão do Selo ARTE para os três produtos sul-matogrossenses foi concluída no fim de 2025. Com essas novas concessões, o número de certificações conquistadas com apoio do Senar/MS chegou a cinco. Além disso, outros 36 processos já foram protocolados para análise em 2026, sinalizando a tendência de crescimento da agroindústria artesanal no estado.

O avanço também evidencia a importância da assistência contínua. Técnicos do Senar/MS recomendam que produtores interessados visitem propriedades já certificadas para conhecer de perto as exigências e, em seguida, procurem o sindicato rural ou o técnico de campo responsável pela região. O planejamento conjunto permite identificar investimentos prioritários, reduzir custos e acelerar a tramitação dos pedidos.

Impacto para a agricultura familiar

A possibilidade de vender em todo o país contribui para a geração de renda nas pequenas propriedades e estimula a permanência das famílias no campo. A valorização de receitas transmitidas entre gerações, aliada à formalização dos negócios, cria oportunidades de inserir ingredientes regionais em novos nichos de consumo, como empórios especializados e plataformas de comércio eletrônico.

Com os resultados alcançados, o Senar/MS pretende ampliar o número de atendimentos e capacitações em 2026, direcionando esforços a adequações sanitárias e gestão de qualidade. O objetivo é preparar outras agroindústrias artesanais para atender à demanda crescente por alimentos que unem tradição, segurança e identidade regional.

Enquanto novos pedidos avançam nas etapas burocráticas, o Salame Pantaneiro, o Queijo Nicola e a Manteiga de Garrafa já podem ser encontrados em pontos de venda fora de Mato Grosso do Sul, levando o sabor e a história da produção do estado a consumidores de diferentes regiões brasileiras.

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