A valorização do petróleo no mercado internacional, motivada pela escalada do conflito no Oriente Médio, começa a aparecer nas bombas de combustíveis em Campo Grande. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizado de 15 a 21 de março aponta a gasolina aditivada com preço médio de R$ 6,40 por litro, enquanto o etanol hidratado registra média de R$ 4,28.
Oscilação entre postos
Nos 19 postos pesquisados pela ANP, a gasolina variou de R$ 5,97 a R$ 6,59, diferença de R$ 0,62 por litro. O etanol, monitorado em 17 estabelecimentos, foi comercializado entre R$ 4,15 e R$ 4,48. O coeficiente de variação de 2,5% indica estabilidade estatística no período, mas consumidores relatam percepção de aumentos sucessivos nas últimas semanas.
Pressão vinda do exterior
No dia 26 de março, declarações divergentes de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sobre uma possível solução diplomática para o conflito ampliaram as incertezas no mercado. O Irã é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e exerce influência direta sobre o Estreito de Ormuz, corredor por onde escoa parte significativa da produção global. O receio de interrupções na oferta levou investidores a considerar cenário de escassez, elevando de forma imediata o valor do barril.
Analistas destacam que o mercado permanece sensível a qualquer notícia relacionada aos desdobramentos da guerra. Mesmo sem estimativa precisa de eventuais danos à infraestrutura de produção ou transporte, o simples risco de restrição na oferta tem sido suficiente para direcionar as cotações internacionais para cima.
Formação de preços no Brasil
Embora a pressão externa seja o principal gatilho do momento, o preço final ao consumidor brasileiro resulta de um conjunto de variáveis. A política de preços praticada pelas refinarias, as margens de distribuição e revenda, a carga tributária estadual e federal, além dos custos logísticos, compõem a formação do valor pago na bomba. Dessa forma, o ajuste percebido em Mato Grosso do Sul decorre tanto da alta internacional quanto de fatores internos.
Impacto no dia a dia dos motoristas
No centro da capital, motoristas adotam estratégias distintas para lidar com o novo cenário. Um vendedor de 24 anos afirmou manter o hábito de abastecer com R$ 50 de gasolina comum a cada semana, prática que, segundo ele, ainda não sofreu alteração expressiva no bolso. Já profissionais que dependem do veículo para trabalhar relatam impacto direto. Um transportador calcula aumento de R$ 0,30 a R$ 0,40 por litro e despesas mensais com combustível entre R$ 1.600 e R$ 2.000. Ele opta pelo etanol no percurso urbano, avaliando que, apesar do menor rendimento por quilômetro, o custo total compensa em relação à gasolina.
Moradores da região norte também sentem a diferença. Um motorista consultado observa acréscimos diários de até R$ 0,20 nas bombas e questiona por que o etanol, teoricamente menos afetado pela cotação do petróleo, também ficou mais caro. Segundo ele, o carro da empresa utiliza gasolina, enquanto o veículo particular recebe etanol, escolha pautada pela relação de preço entre os dois combustíveis.
Etanol segue vantajoso
Pela regra de competitividade de 70%, o etanol compensa quando custa até 70% do valor da gasolina. Considerando a média de R$ 6,40, o limite seria R$ 4,48. Como o preço médio verificado para o biocombustível em Campo Grande é de R$ 4,28, o etanol ainda se mantém economicamente mais atrativo. Em um tanque de 50 litros, a economia pode superar R$ 100, dependendo do posto escolhido.
Perspectivas
Especialistas alertam que o quadro internacional continua imprevisível. Qualquer escalada envolvendo o Irã ou novos bloqueios no Estreito de Ormuz tende a reforçar a volatilidade dos preços. Enquanto isso, motoristas em Campo Grande monitoram diariamente as variações nas bombas e avaliam alternativas para mitigar o impacto no orçamento doméstico, seja reduzindo deslocamentos, seja alternando entre gasolina e etanol conforme a diferença de preços.
Mesmo sem previsão de queda no curto prazo, o comportamento do mercado internacional e eventuais ajustes na política de preços das refinarias brasileiras serão determinantes para definir se o custo dos combustíveis seguirá em alta ou encontrará espaço para estabilização nas próximas semanas.









