Os preços do boi gordo seguem em trajetória ascendente em praticamente todas as regiões brasileiras e devem manter essa tendência ao longo de 2024. A análise é de Ronaty Makuko, especialista da Pátria Agronegócios, que vê a arroba ultrapassando R$ 330 em São Paulo e com potencial de chegar a R$ 345 até janeiro do próximo ano.
Em entrevista ao programa Agro é Massa, veiculado pela Massa FM, o analista descreveu um cenário sustentado por oferta reduzida de animais prontos para abate e demanda externa consistente, liderada pela China. Segundo Makuko, esses dois fatores combinados fortalecem as cotações e indicam um mercado estável no curto e no médio prazo.
Oferta menor e demanda firme sustentam valores
De acordo com o especialista, a menor disponibilidade de bois terminados é reflexo de um ciclo de retenção de fêmeas iniciado em 2023, quando muitos pecuaristas optaram por segurar matrizes para recompor plantel. Com menos animais aptos ao abate, o volume ofertado diminuiu e a pressão sobre os frigoríficos aumentou, favorecendo a elevação dos preços.
Do lado da procura, a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático absorve parcela significativa das exportações, fato que contribui para manter a liquidez do mercado interno. Mesmo diante de rumores sobre uma investigação chinesa envolvendo fornecedores do Brasil, Makuko não projeta impactos relevantes. Para ele, a relação comercial entre os dois países está consolidada e deve continuar beneficiando os pecuaristas brasileiros.
Alta generalizada em diferentes estados
A valorização não se restringe ao Sudeste. Makuko citou Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Tocantins e Bahia como exemplos de estados que registram avanços consistentes nas cotações. O movimento uniforme indica, segundo o analista, que o ajuste de preços não é pontual, mas resultado de condições estruturais de oferta e demanda que se repetem em diversas praças pecuárias do país.
Em São Paulo, praça de referência para os contratos futuros, a arroba já supera R$ 330. Para outras regiões, os valores variam conforme custos de frete, eficiência logística e proximidade dos frigoríficos exportadores, mas o comportamento de alta se mantém. A perspectiva é de que o viés positivo prevaleça até o fim de 2024, período em que parte dos animais confinados nesta safra ainda chegará ao mercado.
Bezerro sobe até 40% em um ano
O mercado de reposição também passa por forte valorização. Dados mencionados por Makuko apontam que o preço do bezerro acumula ganho de até 40% em 12 meses. Hoje, o quilo do bezerro custa entre R$ 15 e R$ 16, valor que tende a ser incorporado ao custo de produção do boi gordo nos próximos meses. Segundo o analista, esse repasse é gradual, mas inevitável, pois está atrelado à reposição dos rebanhos.
Com a alta do bezerro, a relação de troca — quantidade de arrobas necessárias para adquirir um animal jovem — piorou para o invernista, pressionando margens de quem faz a recria e a engorda. Ainda assim, Makuko ressalta que os sistemas integrados de cria, recria e terminação podem diluir parte desse efeito, especialmente quando o produtor trabalha com planejamento de longo prazo.
Recomendações de gestão e travas de preço
O especialista recomenda que pecuaristas aproveitem o momento de firmeza para antecipar vendas e, quando possível, realizar operações de hedge na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Fixar preços via contratos a termo ou opções pode proteger a rentabilidade diante de oscilações cambiais, variações no custo de insumos e eventuais mudanças de cenário no comércio internacional.
Para Makuko, a gestão estratégica é essencial por causa do aumento simultâneo de custos de nutrição, logística e mão de obra. Embora o ambiente seja favorável, ele ressalta que ciclos de alta são seguidos por ajustes, e o produtor que se antecipa minimiza riscos. A orientação inclui acompanhar os lotes de animais, calcular a margem sobre a arroba prevista e travar parte da produção sempre que o mercado oferecer preços compatíveis com a meta financeira da fazenda.
Perspectivas para 2024
Com a expectativa de que o consumo interno se mantenha estável e as exportações continuem aquecidas, Makuko não vê sinal de inflexão dos preços no curto prazo. Ele projeta um primeiro semestre de 2024 ainda sustentado por baixos estoques de carne nos frigoríficos e pela reposição mais cara. O ponto de atenção fica para o segundo semestre, quando o resultado das condições climáticas sobre pastagens e o comportamento da demanda internacional podem definir o ritmo da arroba.
Enquanto isso, pecuaristas de diferentes regiões acompanham as negociações diárias, buscando capitalizar a valorização atual. O ambiente, segundo o analista, é otimista, mas requer disciplina financeira para garantir ganhos consistentes durante o restante do ciclo de alta.









