Mundo Novo (MS) – Uma operação integrada entre o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) da Polícia Militar e a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) da Polícia Civil resultou, na quarta-feira, 4, na apreensão de 11.450 quilos de maconha que estavam ocultos em uma carreta carregada com soja. Três homens foram presos e outras duas carretas, usadas como batedores, também foram recolhidas.
De acordo com informações fornecidas pelas corporações, a droga está avaliada em cerca de R$ 24 milhões. Todo o entorpecente, juntamente com os veículos e os suspeitos, foi encaminhado para a sede da Defron em Dourados, município responsável pelo prosseguimento das investigações e pela formalização do flagrante.
A ação teve início após o recebimento de denúncias que indicavam a movimentação de traficantes na região sul de Mato Grosso do Sul. Os informes apontavam que grãos estariam sendo utilizados como fachada para o transporte de grandes cargas de maconha. Com base nas características das carretas citadas nas denúncias, equipes do DOF e da Defron passaram a monitorar vias estratégicas próximas à fronteira.
Durante as diligências, os agentes localizaram duas carretas que trafegavam em comboio, sem carga aparente, em atitude considerada suspeita. A abordagem inicial confirmou que os veículos atuavam como batedores, função destinada a alertar sobre possíveis barreiras policiais ao longo do trajeto. Em seguida, a terceira carreta, carregada com soja, foi interceptada.
Na vistoria minuciosa do compartimento de carga, os policiais encontraram fardos de maconha sob a camada de grãos. A pesagem totalizou 11.450 quilos. Questionado sobre a origem e o destino do entorpecente, o motorista afirmou ter sido contratado para levar o carregamento até Londrina (PR), onde receberia R$ 50 mil pelo serviço. As identidades dos três detidos não foram divulgadas.
Segundo as forças de segurança, o método de ocultar drogas em cargas de grãos é recorrente na região. As rodovias que cortam o sul do Estado fazem parte de rotas usadas por organizações criminosas que exploram a proximidade com o Paraguai para introduzir drogas no território brasileiro. A utilização de veículos de grande porte oferece volumetria para grandes quantidades e busca reduzir o risco de detecção.
Os responsáveis pela operação ressaltaram que a colaboração entre DOF e Defron, ambos com atuação direcionada ao combate de ilícitos transfronteiriços, possibilitou o monitoramento em tempo real dos alvos e a rápida mobilização de equipes táticas. O trabalho conjunto, afirmam, amplia a capilaridade das ações e fortalece o intercâmbio de informações de inteligência.
Além das apreensões e prisões, a polícia também investiga possíveis financiadores e a logística empregada pelo grupo suspeito. Peritos deverão realizar exame detalhado nos veículos para identificar compartimentos adaptados e eventuais vestígios que indiquem outras viagens semelhantes. A soja apreendida passará por inspeção sanitária antes de ter destino definido pelas autoridades competentes.
O DOF mantém um canal de denúncias anônimas pelo telefone 0800 647 6300. A corporação garante sigilo absoluto ao cidadão que repassar informações sobre atividades ilícitas nas regiões de fronteira.
Os presos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e demais delitos previstos na legislação. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar dez anos de reclusão. A Defron informou que continuará a apurar a participação de outros envolvidos, inclusive possíveis destinatários da carga em território paranaense.
Com a apreensão desta quarta-feira, DOF e Defron reforçam o balanço de interceptações de grandes carregamentos de entorpecentes no Estado. As forças policiais reiteram o compromisso de intensificar barreiras, patrulhamentos e ações de inteligência nas principais rotas de escoamento de drogas, com foco em desarticular quadrilhas especializadas e reduzir o impacto do tráfico nas regiões de fronteira.








