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Arauco obtém aval da ANTAQ para comprar Alempor e consolidar rota de celulose via Porto de Santos

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) autorizou a mudança de controle societário da Alempor para a Arauco, decisão tomada em 26 de março que destrava uma etapa decisiva do plano logístico da companhia chilena no Brasil. O parecer positivo permite que a Arauco avance na aquisição da operadora portuária e garanta uma estrutura própria no Porto de Santos, ponto considerado essencial para o escoamento da produção do Projeto Sucuriú, complexo de celulose atualmente em construção no município de Inocência, Mato Grosso do Sul.

O sinal verde da agência reguladora está condicionado à transferência da titularidade do Terminal de Uso Privado (TUP) situado na região da Alemoa, em Santos, para a Arauco. Concluída essa formalidade, a companhia projeta finalizar a compra da Alempor em cerca de 90 dias, prazo que abrange todas as exigências societárias, documentais e operacionais envolvidas na transação. A operação reforça a estratégia de verticalização logística da empresa, que passa a controlar integralmente a cadeia entre a fábrica no interior sul-matogrossense e o principal porto exportador do país.

O terminal em Santos deverá funcionar como elo-chave para o fluxo de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta previstas pelo Projeto Sucuriú. Ao dispor de um ponto dedicado na costa paulista, a Arauco pretende reduzir custos, prazos e riscos associados ao uso de instalações de terceiros, aumentando a confiabilidade do cronograma de embarques e a competitividade do produto brasileiro nos mercados internacionais.

Em paralelo ao processo de aquisição portuária, o empreendimento avança na implantação de sua malha ferroviária própria. Chegaram recentemente os primeiros vagões que comporão a EF-A35, ramal particular de 45 quilômetros que conectará a planta industrial à Malha Norte, operada pela Rumo. A interligação ferroviária permitirá que a quase totalidade da produção percorra trilhos desde Inocência até o litoral, limitando a participação do modal rodoviário a trechos complementares.

Estudos da companhia indicam que, caso todo o volume projetado fosse transportado por caminhões, seriam necessárias em torno de 190 viagens diárias pelas rodovias da região. A migração para a ferrovia, portanto, tende a aliviar a circulação de veículos pesados, diminuir o desgaste do pavimento e reduzir potenciais acidentes relacionados ao transporte de cargas de grande porte. A capacidade de escoamento prevista para a EF-A35 e para o TUP em Santos foi dimensionada para acompanhar a produção máxima da futura fábrica, assegurando sincronia entre planta, trilhos e porto.

Além dos benefícios operacionais, a substituição do modal rodoviário pelo ferroviário traz ganhos ambientais relevantes. A empresa estima uma redução de até 94 % nas emissões de dióxido de carbono em comparação ao cenário de transporte exclusivamente por caminhões. O índice se alinha a exigências cada vez mais rigorosas de compradores internacionais por cadeias produtivas de menor pegada de carbono e reforça compromissos de sustentabilidade assumidos pelo setor de base florestal.

A Arauco não é a única a apostar em ferrovias para otimizar a logística de celulose no Centro-Oeste. Eldorado Brasil e Suzano, que também operam no Estado, analisam ou já implementam projetos similares, indicando uma tendência de reconfiguração da matriz de transporte regional. A expansão do modal ferroviário responde tanto a critérios econômicos quanto a pressões ambientais e deve alterar de forma estrutural o fluxo de cargas originadas em Mato Grosso do Sul.

Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, o Projeto Sucuriú representa a estreia da Arauco na produção de celulose no Brasil. A fábrica está sendo erguida em uma área de 3.500 hectares e terá capacidade instalada para 3,5 milhões de toneladas anuais de fibra curta, volume que a posicionará entre as maiores unidades do segmento no país. A entrada em operação industrial, assim como o início das atividades ferroviárias e portuárias, está prevista para o fim de 2027.

A integração de uma grande planta industrial a um ramal ferroviário dedicado e a um terminal portuário próprio configura um dos mais robustos arranjos logísticos em implantação atualmente no Brasil. A combinação desses ativos deve impulsionar a geração de empregos diretos e indiretos, ampliar receitas de exportação e fortalecer a infraestrutura de transporte do Estado, efeitos que tendem a repercutir na competitividade da celulose brasileira e na dinâmica econômica de todo o corredor Centro-Oeste–Sudeste.

Ao concretizar a compra da Alempor e assegurar o controle do TUP da Alemoa, a Arauco consolida um modelo de integração que promete reduzir custos logísticos, diminuir impactos ambientais e elevar a eficiência da cadeia de suprimentos de celulose, reforçando a importância de investimentos coordenados em indústria, ferrovia e porto para o desenvolvimento sustentável do setor florestal.

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