O arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, afirmou que a participação dos fiéis nas celebrações da Semana Santa deste ano tem sido expressiva na capital sul-mato-grossense. Segundo ele, o período mais importante do calendário cristão não se limita à abstinência de determinados alimentos, mas convida a uma revisão profunda de comportamentos e valores no cotidiano.
Desde o Domingo de Ramos, ocorrido em 29 de março, paróquias da Arquidiocese registram templos cheios e procissões movimentadas. Um dos momentos destacados pelo arcebispo foi a Procissão do Encontro, caminhada que reuniu fiéis de diferentes comunidades em direção a igrejas da cidade. A atividade simboliza, segundo a tradição católica, o encontro de Maria com Jesus no caminho do Calvário e abriu espaço para reflexões sobre fraternidade e solidariedade.
A programação oficial prossegue com rituais já tradicionais. Nesta Quinta-Feira Santa (2), está prevista a missa que recorda a instituição da Eucaristia e o gesto do lava-pés, prática que enfatiza o serviço ao próximo. Na Sexta-Feira da Paixão (3), a Igreja rememora a morte de Jesus Cristo por meio de liturgias, via-sacras e vigílias. Para Dom Dimas, essas celebrações compõem o tríduo pascal, etapa considerada a preparação imediata para a Páscoa.
Ao comentar o sentido do tríduo, o arcebispo explicou que se trata do momento mais intenso de oração para os católicos, culminando na madrugada do domingo de Páscoa (5), quando a ressurreição de Cristo é celebrada. “A fé precisa estar ligada à vida concreta das pessoas”, ressaltou, defendendo que os ritos litúrgicos reflitam em práticas de justiça, paz e empatia no dia a dia.
Dom Dimas enfatizou que o costume de jejum e abstinência somente faz sentido quando conduz a transformações efetivas. Além de reduzir o consumo de alimentos ou suspender a ingestão de carne, ele mencionou outras formas de privação capazes de fortalecer o compromisso cristão, como reprimir atitudes de indiferença, controlar impulsos de violência verbal e adotar postura de escuta ao próximo. “Existem muitos jejuns além do alimentar”, declarou.
Nesse contexto, a Arquidiocese também relaciona fé e responsabilidade social por meio da Campanha da Fraternidade. A edição de 2020 aborda o tema da moradia e convida os fiéis a refletir sobre o direito à habitação digna. A iniciativa, segundo o arcebispo, dialoga diretamente com a proposta de vivenciar a fé de forma concreta, incentivando ações que favoreçam quem enfrenta dificuldades para ter acesso a uma casa.
As igrejas de Campo Grande organizaram horários especiais para confissões, adorações e celebrações, obedecendo às orientações litúrgicas do período. O objetivo é proporcionar aos fiéis oportunidades de reconciliação, oração e partilha. “O mais importante é o espírito com que se faz isso”, reforçou Dom Dimas, ao comentar que todo gesto penitencial deve refletir a disposição interna de conversão.
Além das atividades religiosas, coordenadores de pastorais mobilizam voluntários para arrecadações de alimentos, roupas e produtos de higiene destinados a famílias em situação de vulnerabilidade. As ações assistenciais visam materializar o chamado à fraternidade lembrado pelo arcebispo. Segundo ele, a prática da caridade é componente essencial da espiritualidade proposta pela Igreja durante a Quaresma e a Semana Santa.
Para os próximos dias, as paróquias planejam via-sacras encenadas por grupos de jovens, momentos de oração comunitária e celebrações da Vigília Pascal na noite de sábado. Esse rito inclui a bênção do fogo novo, a proclamação da Páscoa e o anúncio da vitória da vida sobre a morte. Fiéis que participaram das etapas iniciais são convidados a manter o mesmo empenho até o encerramento, no domingo, quando ocorre a missa solene da ressurreição.
Com a conclusão da Semana Santa no domingo de Páscoa, a Igreja Católica inicia o tempo pascal, que se estende por cinquenta dias até Pentecostes. Dom Dimas reforçou que a experiência vivida durante a semana deve repercutir em todos os campos da existência humana, incentivando gestos permanentes de reconciliação, serviço e testemunho cristão na sociedade.
Até o momento, as celebrações transcorrem sem incidentes, e a Arquidiocese mantém equipes organizadas para orientar fiéis quanto aos horários e procedimentos litúrgicos. A expectativa é de que a participação permaneça alta, confirmando a avaliação do arcebispo sobre o engajamento da comunidade católica de Campo Grande no período pascal.









