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Casos de síndrome respiratória crescem antes do esperado e lotam hospitais em Três Lagoas

Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, enfrenta em 2026 um aumento fora de época de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e outras síndromes gripais. Entre janeiro e março, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 33 internações por complicações respiratórias e um óbito. A vítima foi um homem de 50 anos, com histórico de asma, que teve o quadro agravado após contrair gripe.

O crescimento costuma ocorrer a partir do fim de abril, mas este ano começou em fevereiro. A antecipação, segundo técnicos da Vigilância Epidemiológica, está relacionada ao período chuvoso prolongado e à maior permanência da população em ambientes fechados, condições que favorecem a circulação de vírus respiratórios.

Rede hospitalar no limite

A pressão já é sentida nos serviços de saúde. A diretora clínica do Hospital Regional Magid Thomé, Patrícia Matos, informou que todos os leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) permanecem ocupados. A maioria dos pacientes internados apresenta complicações associadas a SRAG ou gripe. Com a taxa de ocupação em 100%, a equipe tem remanejado profissionais e equipamentos para tentar manter os atendimentos dentro dos protocolos de segurança.

Profissionais de outras unidades básicas relatam aumento significativo de consultas por sintomas respiratórios, especialmente em crianças e idosos. Muitos casos são classificados como quadros leves, mas a ocorrência de febre alta persistente, cansaço extremo ou dificuldade para respirar tem levado à necessidade de encaminhamento hospitalar.

Sintomas que exigem avaliação imediata

Especialistas reforçam a importância de atenção a sinais de alarme. Febre acima de 38,5 °C por período superior a três dias, prostração — definida como cansaço intenso ou alteração de comportamento —, tosse contínua e falta de ar merecem avaliação médica urgente. O objetivo é iniciar o tratamento adequado antes que o quadro evolua para insuficiência respiratória ou outras complicações.

Pediatras e geriatras alertam que crianças pequenas e idosos tendem a apresentar evolução mais rápida, motivo pelo qual familiares devem observar mudanças de apetite, irritabilidade, confusão mental ou queda de saturação de oxigênio, se houver disponibilidade de oxímetro doméstico.

Vacinação continua sendo a principal estratégia

A Secretaria Municipal de Saúde reforça a orientação para que a população mantenha o calendário vacinal em dia. A vacina contra a gripe, disponibilizada gratuitamente na rede pública, protege contra as principais cepas em circulação: Influenza A (H1N1 e H3N2) e linhagens do tipo B. A imunização reduz a probabilidade de infecção e, quando a doença ocorre, tende a evitar formas graves.

Dados locais indicam que, entre as crianças, o rinovírus é o agente com maior circulação no momento. Entre adultos, predominam os vírus Influenza A e B. Embora a vacina não inclua proteção específica contra rinovírus, profissionais de saúde destacam que a cobertura contribui para desafogar o sistema ao diminuir outras infecções respiratórias e evitar coinfecções, que podem agravar o quadro clínico.

Medidas de prevenção complementar

Além da vacinação, autoridades recomendam:

  • manter alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e fontes de proteína;
  • garantir noites regulares de sono para fortalecimento do sistema imunológico;
  • higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel, principalmente após tossir ou espirrar;
  • evitar aglomerações em locais fechados quando possível;
  • ventilar ambientes domésticos e de trabalho, abrindo janelas para circulação de ar;
  • utilizar máscara em caso de sintomas, para reduzir a transmissão a outras pessoas.

Embora medidas como o uso de máscara não sejam obrigatórias no município, infectologistas lembram que a barreira física permanece eficaz para conter aerossóis e gotículas em períodos de maior incidência viral.

Monitoramento e próximos passos

A Vigilância Epidemiológica continuará acompanhando a evolução dos indicadores semanais de SRAG. Caso o número de internações mantenha tendência de alta, a Secretaria de Saúde avalia ampliar horas extras de profissionais e reativar leitos de contingência usados durante a pandemia de covid-19.

Enquanto isso, a pasta intensificou campanhas em escolas, postos de trabalho e unidades de atenção básica para incentivar a vacinação. Equipes volantes percorrem bairros mais afastados a fim de alcançar moradores com dificuldade de deslocamento. O objetivo é elevar a cobertura antes do outono, que tradicionalmente apresenta picos de doenças respiratórias.

Autoridades municipais destacam que, embora o óbito registrado represente um evento isolado até o momento, a combinação de alta transmissibilidade e ocupação total dos leitos exige mobilização coletiva. A recomendação geral é procurar atendimento logo no início dos sintomas, evitar automedicação sem orientação profissional e manter os cuidados preventivos em todas as faixas etárias.

Com a chegada do período escolar e atividades em locais fechados, a Secretaria de Educação também participa das ações. Professores receberam material informativo sobre etiqueta respiratória e protocolos de encaminhamento para estudantes que apresentem sinais de gripe durante as aulas.

Dessa forma, o município tenta conter a pressão sobre a rede hospitalar e reduzir riscos de novos óbitos, enquanto aguarda a esperada desaceleração dos casos no fim do outono.

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