Search

Autoridades articulam ações emergenciais para conter epidemia de chikungunya em Dourados

Representantes das esferas municipal, estadual e federal reuniram-se no sábado, 21 de março de 2026, na Câmara de Vereadores de Dourados (MS) para detalhar o plano de enfrentamento à epidemia de chikungunya que atinge o município. A presença da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) marcou a coletiva, convocada após a publicação do Decreto 587, de 20 de março, que declarou situação de emergência em saúde pública e abriu caminho para a liberação de recursos federais.

O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, informou que a medida visa ampliar a capacidade de atendimento hospitalar e permitir contratações rápidas durante os primeiros 90 dias, período considerado crítico pela gestão. Segundo ele, a rede de Dourados já atende pacientes de toda a região e opera sob pressão constante, cenário agravado pela expansão dos casos que antes estavam concentrados na Reserva Indígena e agora alcançam diversos bairros urbanos.

Para conter a transmissão do Aedes aegypti, um mutirão foi iniciado em 9 de março nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com participação do Governo do Estado, das prefeituras de Dourados e Itaporã, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). Em oito dias, 4.319 imóveis foram vistoriados, 2.173 receberam tratamento focal, 1.004 criadouros foram eliminados — 90% deles em caixas-d’água, lixo e pneus — e 43 casas passaram por borrifação.

Diante da alta procura por atendimento, um hospital de campanha foi montado na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na Aldeia Jaguapiru. A unidade, estruturada pela Sesai em parceria com o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), conta com equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. Casos graves são encaminhados ao Hospital da Missão Evangélica Caiuá, enquanto gestantes e crianças seguem para o HU-UFGD.

Na coletiva, a secretária-adjunta da Sesai, Lucinha Tremembé, anunciou a contratação emergencial de agentes comunitários de endemias. A previsão é de que esses profissionais iniciem as atividades de campo em até duas semanas, reforçando ações educativas ligadas ao armazenamento seguro de água e à vedação de caixas-d’água, pontos recorrentes de proliferação do mosquito.

Até 20 de março, o Informe Epidemiológico de Monitoramento do Surto na Reserva Indígena contabilizava 504 casos confirmados de chikungunya, 405 em investigação, quatro internações e 159 atendimentos hospitalares. Quatro óbitos foram registrados: uma mulher de 69 anos (26/02), um homem de 73 (09/03), um bebê de três meses (10/03) e uma mulher de 60 anos (12/03), todos residentes na Reserva.

No âmbito municipal, dados parciais divulgados em 21 de março apontam 546 diagnósticos positivos de chikungunya e 380 exames em análise. Para dengue, há 19 confirmações e 522 amostras aguardando resultado. As autoridades destacaram que a vacinação contra dengue disponível em Dourados não oferece proteção contra chikungunya, reforçando a necessidade de controle vetorial.

O diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli, frisou que a transmissão ocorre exclusivamente por meio da picada do Aedes e exige mobilização conjunta da população e dos poderes públicos. Já a técnica de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Daniele Tebet, alertou que, por não haver imunidade coletiva, a doença tende a permanecer circulando no Mato Grosso do Sul.

Integrante da equipe de especialistas que chegaram a Dourados, o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, explicou que a chikungunya provoca inflamação articular com possibilidade de evolução para quadros crônicos. Segundo ele, sintomas podem persistir por semanas ou até mais de um ano, e, em gestantes no final da gravidez, o vírus pode ser transmitido ao recém-nascido, ocasionando dores articulares e lesões cutâneas poucos dias após o parto.

Além das ações de saúde, os vereadores de Dourados instituíram o Comitê de Apoio à Reserva Indígena de Dourados (RID) e iniciaram campanha emergencial para arrecadar água, isotônicos, repelentes e alimentos de consumo rápido. Doações podem ser entregues na sede da Câmara, no Shopping Avenida Center, das 7h às 13h, ou na subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil.

A Força Nacional do SUS permanece mobilizada desde 18 de março para apoiar o município em atividades de vigilância, assistência e educação. As autoridades reiteram que a eliminação de criadouros é a principal medida para conter o avanço da chikungunya enquanto não existe vacina disponível.

Isso vai fechar em 35 segundos