O presidente estadual do Partido Liberal em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, esteve em Dourados nesta semana acompanhando compromissos do governador Eduardo Riedel (PP) e tratou do cenário eleitoral durante entrevista a uma emissora local. O ex-governador refutou a existência de conflitos internos na legenda e afirmou que o PL trabalha de forma unificada para fortalecer a chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026.
Azambuja comentou o documento interno do partido que veio a público nos últimos dias. O material, produzido após reunião em Brasília, apresenta anotações sobre estratégias estaduais e nacional. Entre os apontamentos, constava a informação de que o deputado federal Marcos Pollon teria solicitado R$ 15 milhões para desistir de disputar o Governo do Estado ou o Senado. Segundo o dirigente, a observação não reflete a realidade e teria sido registrada apenas como alerta de rumores considerados inverídicos.
O presidente regional informou que, antes de viajar a Dourados, esteve na capital federal em reunião com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Na ocasião, recebeu como tarefa consolidar um palanque robusto em Mato Grosso do Sul para a campanha presidencial de 2026. Ele afirmou que, até o prazo final de filiações partidárias em 4 de abril, a prioridade será ampliar o número de representantes do PL nas esferas estadual e federal.
Segundo Azambuja, a meta é passar dos atuais dois deputados federais para três e, no Legislativo estadual, de três para até sete cadeiras, além de lançar candidatura competitiva ao Senado. O dirigente destacou que a composição da chapa majoritária segue em avaliação e poderá incluir nomes como o próprio ex-governador ou o ex-deputado estadual Capitão Contar, atualmente filiado ao PL, para disputar a vaga de senador.
O documento vazado também indica que o partido planeja apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel, filiado ao Progressistas. O texto revela a disposição da cúpula em formar aliança com o PP, estratégia vista como fundamental para consolidar a presença de Flávio Bolsonaro no Estado. Azambuja confirmou a intenção de caminhar junto ao atual chefe do Executivo sul-mato-grossense, ressaltando que o objetivo é construir uma base ampla e competitiva.
Sob o ponto de vista nacional, as anotações mostram que Flávio Bolsonaro assumiu protagonismo na definição dos rumos da legenda, contando com o apoio do senador Rogério Marinho, coordenador de sua pré-campanha, e de Valdemar Costa Neto. O material detalha mapas eleitorais, avaliações de desempenho e possíveis composições estaduais, indicando que o partido pretende apresentar uma imagem de coesão em torno do projeto presidencial.
No entanto, a referência ao Mato Grosso do Sul evidenciou disputas locais. Apesar disso, Azambuja garantiu que não há divisões significativas. De acordo com ele, o compromisso firmado internamente é “somar e multiplicar”, descartando qualquer intenção de criar blocos rivais ou reduzir o espaço de correntes ideológicas do partido.
Sobre Marcos Pollon, apontado no documento como alvo de um suposto acordo financeiro, o presidente estadual do PL reiterou que não houve solicitação de recursos nem tratativas nesse sentido. Disse ainda que o próprio senador Flávio Bolsonaro já teria esclarecido o assunto, classificando-o como fruto de interpretações equivocadas. Pollon representa o segmento mais alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, até o momento, não se posicionou publicamente acerca do conteúdo divulgado.
Azambuja frisou que a fase atual envolve a formatação de chapas proporcionais competitivas, intensificação de filiações e articulações com lideranças municipais e regionais. Para ele, o desempenho obtido em 2024 servirá como termômetro para a corrida eleitoral de 2026, quando o PL pretende ampliar espaço no Congresso Nacional e assegurar maior influência na política estadual.
Ao mesmo tempo, o ex-governador reiterou que a escolha dos nomes que disputarão cargos majoritários deve considerar pesquisas internas, capacidade de mobilização e potencial de votos. Segundo ele, as conversas prosseguem com todas as alas do partido, incluindo parlamentares, prefeitos, vereadores e movimentos de base.
Com a agenda em Dourados, Azambuja acompanhou visitas a obras e reuniões de Riedel, reforçando a parceria entre PL e PP no Estado. A expectativa, segundo o dirigente, é apresentar até abril um quadro definido de pré-candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador em diversos municípios, etapa considerada decisiva para consolidar a estratégia traçada pela direção nacional.
O próximo passo, conforme destacou, será transformar a articulação política em resultados nas urnas, seja no pleito municipal deste ano, seja no projeto presidencial de 2026. Para Azambuja, a união das diferentes correntes do partido e a aproximação com aliados regionais serão determinantes para alcançar a meta de ampliar bancadas, eleger senadores e contribuir para o desempenho de Flávio Bolsonaro no Estado.









