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Bebê de quatro meses é agredido pelo pai e levado em estado grave para hospital em Campo Grande

Um bebê de quatro meses foi socorrido em estado grave após ser espancado dentro da própria residência na noite de sábado, 7, no bairro Jardim Inápolis, em Campo Grande (MS). O pai da criança, de 26 anos, foi preso em flagrante por equipes da Polícia Militar depois que vizinhos acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e denunciaram as agressões.

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem permanecia em casa cuidando do bebê e da outra filha, de cinco anos, enquanto a companheira trabalhava fora. Ainda segundo o registro policial, ele consumiu álcool e drogas no período em que esteve sozinho com as crianças. Sob efeito das substâncias, tornou-se agressivo e passou a desferir golpes contra o filho mais novo.

A situação veio à tona quando a menina de cinco anos saiu para a rua chorando e pedindo ajuda. Vizinhos relataram que a criança estava assustada e disse que o irmão estava “machucado”. Moradores da região acompanharam a menina até o imóvel e encontraram o bebê com marcas de violência pelo corpo. As testemunhas retiraram a criança do local e a mantiveram em segurança até a chegada do socorro médico e da polícia.

Equipes do Samu chegaram poucos minutos depois, prestaram os primeiros atendimentos e encaminharam a vítima à Santa Casa de Campo Grande. O estado de saúde foi classificado como grave pelos profissionais que atuaram no resgate. Conforme o boletim, o suspeito permaneceu dentro da residência enquanto as equipes atuavam e foi detido em seguida pelos policiais militares que atenderam a ocorrência.

A mãe das crianças foi avisada sobre o que ocorria e se dirigiu imediatamente à casa, sendo posteriormente conduzida, juntamente com a filha mais velha, para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol a fim de prestar depoimento. Devido à condição delicada do bebê, ela precisou deixar a unidade policial e seguir para o hospital.

O caso foi registrado como tortura qualificada, por envolver uma vítima menor de idade, e lesão corporal dolosa. A investigação prossegue sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá colher novos depoimentos, solicitar eventuais laudos periciais sobre as lesões e apurar se houve episódios anteriores de violência doméstica no mesmo ambiente familiar.

Segundo informações preliminares coletadas pelas autoridades, não havia outros adultos no imóvel no momento da agressão. A menina de cinco anos relatou aos policiais que presenciou parte dos golpes e que, diante da impossibilidade de proteger o irmão, decidiu pedir socorro. Vizinhos confirmaram que a criança correu pela rua chorando e bateu em várias portas antes de ser atendida.

A Santa Casa não divulgou detalhes adicionais sobre o quadro clínico do bebê até a última atualização desta reportagem. A direção do hospital informou apenas que ele passou por avaliação de uma equipe multidisciplinar composta por pediatras, cirurgiões e profissionais de neurocirurgia, devido aos ferimentos identificados durante o atendimento pré-hospitalar.

Após ser autuado em flagrante, o pai foi encaminhado para a cela provisória da Depac Cepol. Se confirmadas as qualificadoras previstas na legislação, ele poderá responder por tortura com pena que varia de oito a dezesseis anos de reclusão, podendo aumentar em razão da idade da vítima. Além do processo criminal, o caso será encaminhado ao Conselho Tutelar para adoção de medidas de proteção em favor das duas crianças.

O episódio volta a chamar a atenção para a incidência de violência doméstica contra menores na capital sul-mato-grossense. Dados oficiais mais recentes da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do estado indicam que agressões a crianças e adolescentes representam parcela significativa dos registros de lesão corporal e maus-tratos analisados pelas delegacias especializadas.

Enquanto a investigação avança, a mãe permanece ao lado do filho hospitalizado e acompanha a filha mais velha, que passou por atendimento psicológico inicial oferecido pelo Conselho Tutelar. A Polícia Civil deverá ouvi-la novamente para esclarecer eventuais circunstâncias anteriores que possam ter contribuído para o desfecho deste sábado.

A reportagem apurou que a Defensoria Pública foi acionada para orientar a família sobre os procedimentos legais e garantir acompanhamento às crianças durante todo o andamento do processo. Não há, até o momento, previsão de alta para o bebê, que segue internado sob monitoramento contínuo.

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