O rearranjo interno da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) modificou o equilíbrio de forças entre as bancadas. Com a entrada de três novos parlamentares, o chamado Bloco 1 agora reúne 12 dos 24 deputados estaduais e se consolida como o grupo com maior número de cadeiras na Casa.
Antes da mudança, o bloco contava com oito integrantes. Permanecem na composição original Junior Mochi, Marcio Fernandes e Renato Câmara, todos do MDB; Gerson Claro e Londres Machado, do PP; Pedrossian Neto, do PSD; Professor Rinaldo, do Podemos; além de Coronel David e Neno Razuk, ambos do PL. A esse conjunto somaram-se Antonio Vaz, do Republicanos; Lucas de Lima, atualmente sem partido; e Lidio Lopes, do Patriota, elevando a bancada a uma posição de paridade exata com o total de assentos disponíveis no plenário.
A liderança permanece sob responsabilidade de Marcio Fernandes (MDB). Caberá a ele conduzir as negociações internas, articular votações e coordenar a distribuição de espaços institucionais a que o grupo passou a ter direito. Pelo Regimento Interno da ALEMS, um bloco parlamentar que ocupa metade das cadeiras passa a indicar três vagas em cada uma das comissões permanentes. Isso inclui a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), considerada a principal instância de análise porque verifica a constitucionalidade e a forma técnica dos projetos antes do envio ao plenário.
Na prática, o novo tamanho garante ao Bloco 1 participação majoritária nas discussões preliminares das proposições. Como as comissões funcionam como filtro inicial, a capacidade de influenciar seus pareceres tende a refletir na agenda legislativa do ano. Além disso, a representação ampliada oferece margem para ocupação de relatorias estratégicas, o que reforça o peso do grupo no processo decisório.
A articulação que resultou na adesão de Antonio Vaz, Lucas de Lima e Lidio Lopes também altera relações com as demais bancadas. Até então, partidos menores ou parlamentares sem bloco tinham maior margem de atuação em comissões específicas. Com o reposicionamento, essas cadeiras passam a depender de acordos com a liderança do Bloco 1, que detém agora direito preferencial de indicação.
Os efeitos práticos do rearranjo tendem a se estender até 2026, conforme previsão de composição para a atual legislatura. A força de 12 votos coloca o grupo em condição de negociar pautas de interesse coletivo ou setorial com maior poder de barganha, seja para avançar matérias consideradas prioritárias, seja para postergar tramitações com as quais não concorde. Na avaliação das regras regimentais, metade dos votos pode, em determinadas circunstâncias, inviabilizar a aprovação de projetos que exijam quórum qualificado ou facilitar a aprovação de matérias que necessitem apenas de maioria simples.
Além da CCJR, o Regimento Interno estabelece outras comissões permanentes, como Finanças e Orçamento, Educação, Saúde ou Agricultura. Em todas, a proporção de cadeiras segue a representatividade dos blocos. Assim, a garantia de três espaços para o Bloco 1 em cada colegiado assegura presença constante em temas diversos, ampliando a influência sobre tramitações técnicas e políticas.
A recomposição não altera apenas números, mas também a conformação partidária. MDB, PP, PSD, Podemos, PL, Republicanos, Patriota e um deputado sem legenda formal passam a atuar sob a mesma coordenação. Embora mantenham identidades próprias, os parlamentares comprometem-se a adotar posição unificada em votações relevantes, reforçando o peso coletivo. Essa coalizão multicolor, formada por oito legendas ou filiadas sem partido, contribui para a dinâmica de formação de consenso em torno de projetos considerados prioritários pelo Executivo ou pelo próprio Legislativo.
A partir de agora, o calendário de reuniões das comissões permanentes deverá refletir a presença ampliada do grupo. A indicação de três titulares pelo Bloco 1 em cada colegiado também implica a nomeação de suplentes, garantindo substituições automáticas e continuidade das análises mesmo em ausências pontuais. Dessa maneira, a bancada fortalece sua capacidade de acompanhar todo o fluxo legislativo, desde a apresentação de propostas ao debate final em plenário.
Por fim, a distribuição igualitária de cadeiras na Casa, com metade dos assentos vinculados ao Bloco 1, eleva o patamar de negociação entre situação e oposição. De um lado, o grupo adquire condições de dialogar em nome de parcela significativa da Assembleia; de outro, demais bancadas e deputados independentes precisam construir entendimentos mais amplos para pautar ou modificar projetos. O passo dado com a chegada de três novos parlamentares, portanto, redimensiona a correlação de forças e influencia diretamente a condução das matérias que chegarão à pauta ao longo dos próximos anos.









