O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, apesar de registrar avanço na função renal observado neste domingo, 15 de março. De acordo com boletim médico divulgado pela instituição, houve estabilização clínica e resposta positiva do rim às medidas realizadas nas últimas 24 horas. Entretanto, os médicos identificaram novo aumento nos marcadores inflamatórios sanguíneos, o que motivou a ampliação da cobertura antibiótica e a manutenção do monitoramento intensivo.
Internação iniciada na sexta-feira
Bolsonaro foi transferido ao DF Star na madrugada de sexta-feira, 13 de março, após sentir-se mal enquanto cumpria determinação judicial de custódia no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília. Desde a admissão, a equipe multidisciplinar acompanha sinais vitais, parâmetros laboratoriais e resposta ao tratamento para pneumonia bacteriana bilateral, condição associada a um episódio de broncoaspiração.
Estado clínico e principais indicadores
Segundo o boletim, o paciente encontra-se consciente, hemodinamicamente estável e sem alterações significativas na pressão arterial. A melhora da função renal ocorreu depois de agravamento relatado na véspera, indicando efeito positivo da hidratação venosa e de ajustes farmacológicos. Em sentido oposto, o laboratório apontou crescimento recente de substâncias inflamatórias, consideradas indicadoras de atividade infecciosa. Com base nesse resultado, a equipe ampliou a variedade e o espectro dos antibióticos.
Os profissionais reiteram que, embora não haja sinais de falência orgânica além do quadro respiratório previamente diagnosticado, o ambiente de UTI segue imprescindível para intervenções rápidas caso ocorram novas complicações. Por enquanto, não foi estipulada previsão de alta da terapia intensiva.
Conjunto de tratamentos adotados
Para conter a infecção pulmonar, Bolsonaro recebe antibióticos de largo espectro por via venosa, além de terapia de suporte respiratório e fisioterapia motora diária. A hidratação intravenosa é mantida para preservar a função renal e otimizar a distribuição dos medicamentos. A equipe também aplica protocolos de prevenção de trombose venosa profunda, comuns em pacientes que permanecem longos períodos com mobilidade reduzida.
O acompanhamento inclui exames de imagem seriados, cultura de secreções respiratórias e avaliação constante de gasometria arterial, parâmetros fundamentais para medir a troca de oxigênio e dióxido de carbono nos pulmões. Todos os dados coletados são analisados em reuniões multiprofissionais que definem ajustes nas condutas clínicas.
Visitas restritas e medidas judiciais
O ex-presidente recebe a companhia diária da esposa, Michelle Bolsonaro. Os filhos também obtiveram autorização para visitas em horários definidos pelo hospital, desde que respeitadas normas internas e determinações judiciais. Por decisão da Justiça, continuam vetados o ingresso de computadores, telefones celulares e quaisquer dispositivos eletrônicos no quarto, medida adotada para assegurar controle ambiental e preservar a segurança do tratamento.
Fatores que sustentam a permanência na UTI
A necessidade de suporte intensivo decorre principalmente de três pontos: a pneumonia bacteriana bilateral, a elevação dos marcadores inflamatórios e a recente instabilidade da função renal. Mesmo com a melhora registrada nos rins, a possibilidade de novas oscilações exige vigilância constante. Da mesma forma, a tendência de crescimento dos índices inflamatórios impõe alta suspeita para evolução de infecção sistêmica, cenário que pode demandar intervenções imediatas.
Outro elemento de atenção é o histórico clínico de Bolsonaro, que já foi submetido a múltiplas cirurgias abdominais nos últimos anos e apresenta sequelas que aumentam a vulnerabilidade a complicações respiratórias e infecciosas. Esse contexto reforça a decisão de não antecipar a saída da UTI até que haja queda consistente dos marcadores e estabilidade sustentada dos demais sistemas orgânicos.
Próximos passos
O boletim divulgado neste domingo indica que a equipe médica continuará avaliando a resposta aos antibióticos nas próximas 48 horas. Caso os marcadores inflamatórios retornem a patamares considerados seguros, poderá ocorrer reavaliação sobre a necessidade de manter o ex-presidente em cuidados intensivos. Até lá, persistem as sessões de fisioterapia respiratória, o uso de suporte de oxigênio conforme demanda e a coleta diária de exames laboratoriais.
Não há, no momento, previsão para transferência a unidade semi-intensiva ou para alta hospitalar. Novos informes serão emitidos pelo Hospital DF Star tão logo haja alterações relevantes no quadro clínico.









