Uma equipe do 5º Grupamento de Bombeiros Militar retirou com vida, na tarde de 9 de março, dois cães que haviam caído em uma fossa com aproximadamente cinco metros de profundidade no bairro Jardim Maristela, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A estrutura, que também continha água, situava-se na Rua Adib Abutt, entre as vias Joaquim Gomes de Toledo e Antônio Rodrigues Motta.
O chamado chegou ao Corpo de Bombeiros no início da tarde, informando que os animais estavam presos em um poço parcialmente alagado. Ao chegar ao endereço, a guarnição constatou que a abertura não possuía cobertura adequada, condição que facilitou a queda dos cães e representava risco imediato de afogamento. Os militares isolaram a área para impedir novos acidentes e iniciaram os procedimentos de salvamento.
Segundo informações da corporação, a presença de água elevou o grau de dificuldade da operação. Assim que os bombeiros analisaram a profundidade e as dimensões da fossa, montaram um sistema de segurança com cordas, talabartes e ancoragens para garantir estabilidade ao socorrista que desceria ao interior do poço. Equipamentos de proteção individual, como capacete, luvas e colete salva-vidas, também foram acionados para mitigar a exposição a substâncias orgânicas presentes na água acumulada.
Durante a descida, um dos militares observou que um dos cães havia submergido momentaneamente, indicando exaustão e perigo iminente de afogamento. O bombeiro alcançou o animal, segurou-o firmemente pelo dorso e utilizou uma bolsa de resgate para içá-lo à superfície. Em seguida, o segundo cão, que permanecia sobre um pequeno degrau de concreto dentro da fossa, foi colocado no mesmo dispositivo e retirado por membros da equipe posicionados na parte superior.
A operação foi concluída poucos minutos após o início do resgate. Os dois cães mostravam sinais de cansaço, porém respiravam normalmente e não apresentavam ferimentos aparentes. Após avaliação preliminar, os bombeiros encaminharam os animais aos tutores, que foram orientados a procurar atendimento veterinário para exames mais detalhados e a providenciar o fechamento adequado da abertura.
O 5º Grupamento de Bombeiros Militar destacou que, em Três Lagoas, existem centenas de fossas sem padronização de tampa ou proteção, situação que expõe moradores, visitantes e animais a quedas e contaminação. A corporação reforçou ainda a necessidade de coberturas resistentes, gradeamento ou lajes devidamente fixadas, conforme normas de segurança sanitária, a fim de reduzir a ocorrência de acidentes semelhantes.
A região do Jardim Maristela possui elevado número de imóveis com sistemas individuais de esgotamento, realidade comum em bairros onde não há rede de coleta pública. Nesse cenário, fossas inacabadas ou sem vedação tornam-se pontos de risco, sobretudo em períodos chuvosos, quando o nível de água tende a subir e encobrir partes estruturais internas, dificultando a visualização do perigo.
Embora o incidente não tenha provocado ferimentos graves, os bombeiros alertam que quedas em fossas podem resultar em asfixia por gases, traumas físicos e afogamento, dependendo da profundidade e da concentração de líquidos. Ocorrências anteriores registradas no município envolveram não apenas animais domésticos, mas também crianças e adultos, enfatizando a relevância de vistorias regulares e manutenção contínua.
Após o término da ação, a equipe deixou o local sob responsabilidade dos proprietários, que se comprometeram a instalar cobertura provisória até a execução de obra definitiva. O Corpo de Bombeiros recomendou ainda a comunicação à prefeitura para possível fiscalização quanto à conformidade das fossas existentes na área.









