A BR 262, que liga Três Lagoas a Campo Grande, tem sido objeto de disputa desde 1982, quando a comunidade local iniciou a luta pelo asfaltamento da rodovia. A campanha, liderada por moradores e autoridades municipais, buscou a transferência da administração da via do governo federal para o Estado de Mato Grosso do Sul, permitindo que o estado assumisse a responsabilidade pela obra.
Histórico da BR 262
Com a transferência concluída, o próximo desafio foi garantir recursos financeiros para a pavimentação. A solução veio do Reino Unido, quando o então embaixador Roberto Campos mobilizou instituições financeiras britânicas para que o estado obtivesse uma linha de empréstimo, com a anuência da União via Senado Federal. O financiamento permitiu iniciar a obra de asfaltamento, considerada vital para integrar Três Lagoas à capital estadual.
A obra foi executada pela empreiteira Camargo Corrêa, uma das mais sólidas da época, liderada por Sebastião Camargo, que já havia participado de grandes projetos como as hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira. Mesmo após o esgotamento do financiamento, a Camargo Corrêa continuou a obra, graças ao ressarcimento previsto na Lei Kandir, que devolvia recursos ao estado por contingenciamentos de ICMS.
A conclusão da pavimentação ocorreu após mais de uma década de trabalho, mas a empresa só recebeu o saldo pendente de pagamento depois de mais de dez anos. O valor, significativo, foi quitado em 2024, quando a obra foi devolvida ao governo federal e, posteriormente, retornou ao Estado para a fase de privatização.
Em 2024, a administração estadual retomou a BR 262 com a intenção de privatizar a via e implantar a duplicação das pistas de rolagem, visando atender ao intenso tráfego de caminhões entre Três Lagoas e Campo Grande. A duplicação, contudo, ainda não foi iniciada, e a rodovia continua apresentando buracos e trechos que requerem recapeamento.
Pedágio em debate
Na última terça-feira, 3 de novembro, a Câmara Municipal de Três Lagoas votou contra a cobrança de pedágio de ida e volta, no valor de R$115,20 (R$57,60 por trecho), que seria cobrada a partir de fevereiro de 2027. Os vereadores argumentaram que a taxa não corresponde a melhorias substanciais na rodovia, pois a duplicação ainda não foi iniciada e os usuários continuarão a percorrer as pistas existentes.
Os condutores que trafegam entre Três Lagoas e Água Clara ainda utilizam as pistas atuais, enquanto a seção entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo permanece congestionada pelo grande fluxo de caminhões. A cobrança de pedágio, sem a execução das obras previstas, gera descontentamento entre a população e pode levar a protestos e ações judiciais de iniciativa popular.
Até o momento, não há contestação formal sobre a privatização da BR 262, mas a comunidade exige que a duplicação seja concluída antes de qualquer cobrança de pedágio. A expectativa é que o debate continue, com possíveis medidas legais e manifestações públicas, enquanto a Rota da Celulose ainda precisa demonstrar sua viabilidade antes de cobrar dos usuários.








