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Trecho urbano da BR-262 em Três Lagoas mantém alto índice de acidentes e coloca fiscalização em debate

O segmento urbano da BR-262 em Três Lagoas, entre o posto fiscal de Jupiá e a rotatória que dá acesso a Campo Grande, permanece como um dos pontos mais suscetíveis a acidentes viários no município. A combinação de pista simples, fluxo intenso de caminhões e condutas arriscadas de condutores sustenta um cenário de risco constante, obrigando as autoridades locais a reforçar a atenção sobre o trecho.

Baixada do Córrego da Onça é ponto mais crítico

Dentro do perímetro analisado, a baixada do Córrego da Onça, na região do Jardim Alvorada, concentra ocorrências frequentes e graves. Segundo o diretor municipal de trânsito, José Aparecido de Moraes, a presença de agentes foi ampliada nos últimos meses, mas a efetiva redução no número de colisões e atropelamentos depende, sobretudo, da mudança de postura dos motoristas. De acordo com ele, ultrapassagens em faixa contínua e conversões fora dos locais permitidos continuam sendo práticas recorrentes, mesmo com a sinalização existente.

Moraes reconhece pequenas falhas pontuais na sinalização vertical, porém ressalta que o pavimento encontra-se em boas condições. Para o gestor, a infraestrutura atual não justifica o descumprimento reiterado das normas de circulação. “Falta consciência”, resume, ao pontuar que a maioria dos incidentes poderia ser evitada com o respeito às regras básicas de direção defensiva.

Subnotificação mascara estatísticas

A magnitude real do problema pode ser maior que a retratada nos registros oficiais. Muitos choques laterais, leves batidas traseiras e danos apenas materiais são resolvidos pelos próprios envolvidos, que preferem acordos no local a acionar a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Militar ou o Departamento Municipal de Trânsito. Essa prática resulta em subnotificação, dificultando a elaboração de diagnósticos completos e o planejamento de ações corretivas.

Apesar da falta de dados precisos sobre pequenos sinistros, os casos graves ainda chamam a atenção. No ano passado, duas mortes foram contabilizadas no trecho que corta o perímetro urbano de Três Lagoas. Esses óbitos reforçam a necessidade de medidas preventivas e de fiscalização mais intensa, já que quaisquer falhas podem resultar em consequências fatais.

Convênio de fiscalização está perto do fim

Desde 2017, a responsabilidade pelas ações fiscalizatórias nesse trecho da BR-262 está a cargo da Prefeitura de Três Lagoas, graças a um convênio firmado com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O acordo delegou à administração municipal a competência para sinalização, monitoramento e autuação de infrações, incluindo o emprego de agentes de trânsito e de equipamentos eletrônicos.

O contrato tem validade até dezembro deste ano e a possível prorrogação até 2027 passa por análise jurídica. O diretor José Aparecido de Moraes, entretanto, manifesta posição contrária à renovação. Ele argumenta que a extensão do trecho e a complexidade da via superam a capacidade operacional do município, que precisaria de novos recursos humanos e tecnológicos para manter a eficácia das ações. Atualmente, o trabalho é viabilizado por meio de colaboração com a PRF e a Polícia Militar, que contribuem com rondas e apoio em situações de maior gravidade.

Fatores que ampliam o risco

A rodovia serve como rota de escoamento para cargas industriais e agrícolas, aumentando a circulação de veículos pesados durante todo o dia. Em pistas simples, a diferença de velocidade entre caminhões e automóveis costuma levar condutores a realizar ultrapassagens perigosas. Além disso, a presença de acessos a bairros, comércios e postos de combustíveis ao longo do trajeto urbano, multiplica os pontos de cruzamento, exigindo atenção redobrada dos motoristas.

Especialistas em segurança viária apontam ainda que a iluminação pública irregular em determinados trechos noturnos, somada às mudanças bruscas de velocidade permitida, favorece situações de risco. Mesmo assim, a avaliação municipal indica que grande parte das ocorrências continua vinculada ao fator humano, especialmente à desatenção e ao excesso de confiança de quem dirige no cotidiano urbano.

Medidas em estudo

Para mitigar o número de sinistros, o departamento de trânsito analisa a instalação de redutores eletrônicos de velocidade próximos às áreas com maior incidência de acidentes, em especial na baixada do Córrego da Onça. Outra proposta envolve campanhas educativas voltadas a motoristas profissionais, que representam parcela expressiva do fluxo diário. A renovação ou não do convênio com o DNIT, contudo, deve definir o alcance dessas iniciativas, já que a disponibilidade de recursos depende da continuidade da parceria.

Enquanto a decisão não é tomada, a orientação das autoridades locais é que motoristas redobrem a cautela no trecho urbano da BR-262, respeitem os limites de velocidade e evitem manobras arriscadas. A expectativa é que a combinação de fiscalização, melhoria pontual da sinalização e conscientização dos condutores contribua para reduzir os índices de acidentes na principal via de ligação entre Três Lagoas e as demais regiões do estado.