Com a chegada do verão e o aumento do tempo de permanência ao ar livre, o Dezembro Laranja volta a chamar a atenção da população para a necessidade de proteger a pele contra a radiação ultravioleta. A iniciativa, organizada anualmente por entidades médicas de todo o país, tem como foco a conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele, o tipo de tumor mais frequente no Brasil.
Dados apresentados pelo dermatologista Alexandre Moretti indicam que cerca de 30% de todos os tumores diagnosticados no território nacional têm origem cutânea. De acordo com o especialista, a alta incidência está diretamente relacionada à posição geográfica do país, que garante radiação solar intensa durante praticamente todo o ano. Esse cenário se agrava nos meses mais quentes, quando os índices de radiação ultravioleta podem ultrapassar níveis classificados como extremos, elevando o risco de danos celulares.
Exposição solar e formas de proteção
Os médicos lembram que a principal medida preventiva ainda é evitar a exposição direta ao sol sem qualquer tipo de proteção. A recomendação inclui o uso diário de filtro solar com fator de proteção igual ou superior a 30, reaplicado a cada duas horas ou após contato com água ou suor. Além disso, roupas de manga longa, chapéus de aba larga e óculos escuros com proteção UV complementam o cuidado básico. Sempre que possível, deve-se buscar sombra e evitar atividades ao ar livre entre 10h e 16h, intervalo no qual a radiação ultravioleta atinge seus picos.
Moretti ressalta que o risco não se resume à exposição acumulada ao longo da vida. Queimaduras solares intensas, caracterizadas pela vermelhidão profunda da pele, também aumentam a probabilidade de desenvolvimento do melanoma, subtipo de câncer cutâneo que, embora responda por menos de 5% dos casos, apresenta maior capacidade de metástase e mortalidade. Outros fatores de risco incluem histórico familiar da doença, poluição, tabagismo e o envelhecimento natural da pele.
Sinais de alerta
A campanha destaca a importância de observar alterações na pele que possam sugerir o início de um tumor. Entre os sinais considerados de alerta estão feridas que não cicatrizam em até quatro semanas, lesões que sangram com facilidade, nódulos de crescimento rápido e pintas que mudam de tamanho, cor ou apresentam bordas irregulares. A orientação é procurar avaliação dermatológica sempre que qualquer um desses indícios for identificado.
No caso específico do melanoma, a evolução costuma ser rápida e silenciosa, o que torna o diagnóstico precoce fundamental para aumentar as chances de cura. Já os carcinomas basocelular e espinocelular, mais comuns, tendem a ter tratamento menos complexo quando descobertos nos estágios iniciais, segundo o dermatologista.
Opções de tratamento
O procedimento mais utilizado no tratamento do câncer de pele é a remoção cirúrgica da lesão com margem de segurança, prática que busca eliminar células malignas ainda não visíveis a olho nu. Dependendo do tamanho e da localização do tumor, podem ser necessários enxertos cutâneos ou técnicas de reconstrução para preservar funções e estética. Quando o diagnóstico ocorre em fase inicial, a cirurgia costuma ser considerada curativa, reduzindo a necessidade de terapias complementares como radioterapia ou quimioterapia.
Casos avançados, especialmente os de melanoma, podem exigir abordagens adicionais, incluindo medicações imunoterápicas ou terapias-alvo. Mesmo assim, quanto mais cedo o tumor é identificado, menor a complexidade do tratamento e melhores são os prognósticos.
Prevenção contínua
Especialistas enfatizam que os cuidados com a pele devem ser incorporados à rotina durante todo o ano, e não apenas no verão. A aplicação regular de protetor solar deve ocorrer inclusive em dias nublados, já que as nuvens não bloqueiam totalmente a radiação ultravioleta. Atenção também aos ambientes fechados: luzes artificiais e telas digitais emitem quantidades reduzidas de radiação, mas, somadas ao conjunto das exposições diárias, podem contribuir para o envelhecimento cutâneo e para danos acumulativos.
Além da proteção física e química, consultas periódicas ao dermatologista possibilitam a detecção precoce de alterações suspeitas, especialmente em pessoas com maior fator de risco, como aquelas de pele clara, com histórico familiar de câncer de pele ou que já apresentaram queimaduras solares graves na infância.
Ações do Dezembro Laranja
Ao longo de todo o mês, unidades de saúde pública e privada promovem palestras, mutirões de avaliação dermatológica e distribuição de materiais informativos. O objetivo é reforçar a mensagem de que a prevenção é simples, acessível e eficaz. Segundo Moretti, “diagnóstico precoce salva vidas”, ideia que norteia a campanha nacional.
Em resumo, evitar exposição solar intensa, adotar medidas de proteção física e química, reconhecer sinais de alerta e buscar atendimento especializado formam a base do combate ao câncer de pele no Brasil. O Dezembro Laranja funciona como um lembrete coletivo para que esses hábitos se tornem permanentes, reduzindo a incidência da doença e seus impactos na população.









