O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Marcelo Miglioli, afirmou que a capital sul-mato-grossense convive hoje com mais de 300 locais de descarte irregular de resíduos, situação que pressiona a capacidade operacional da Prefeitura e eleva os gastos públicos. A informação foi dada durante entrevista ao programa Microfone Aberto, transmitido pela Rádio Massa FM Campo Grande.
Pressão sobre a estrutura de limpeza
Segundo Miglioli, a administração mantém equipes exclusivas para remover materiais despejados em vias, terrenos baldios e áreas públicas. Todo o conteúdo recolhido é levado ao aterro contratado pelo município, que cobra por tonelada. Dessa forma, o custo provocado pelo despejo clandestino acaba sendo rateado entre todos os contribuintes.
O secretário atribui o problema principalmente a pessoas e empresas que evitam pagar a taxa de tratamento em aterros privados. Ele ressaltou que, enquanto servidores são mobilizados diariamente para recolher entulho, a prática criminosa continua a se repetir, criando um ciclo de despesas adicionais e sobrecarga de trabalho.
Investigação sobre área de destinação
Miglioli revelou ainda que ele e dois servidores da pasta prestaram depoimento à Polícia Civil em inquérito que apura supostas irregularidades ambientais na jazida usada pela Prefeitura para acomodar parte dos resíduos provenientes da varrição de ruas. O procedimento teve origem em questionamentos levantados pelo Ministério Público.
De acordo com o gestor, a paralisação do local — caso venha a ser determinada — agravaria a situação, pois limitaria as alternativas de destinação imediata dos materiais recolhidos em ações de limpeza urbana. O secretário alerta que um eventual fechamento pode comprometer o cronograma de remoções em toda a cidade.
Chuvas intensas e malha viária comprometida
Além do lixo irregular, as chuvas volumosas observadas desde o início do ano geram outro desafio. Apenas em fevereiro, o índice pluviométrico superou 400 milímetros na capital. A frequência das precipitações tem aberto novos buracos nas pistas e anulado parte dos reparos executados previamente.
Miglioli informou que, na semana que antecedeu o último período chuvoso, as equipes chegaram a tapar mais de dois mil buracos por dia. Ao final daquele intervalo, as principais avenidas estavam, segundo ele, praticamente livres de falhas. Contudo, a sequência de temporais voltou a deteriorar o pavimento, exigindo nova mobilização de maquinário e pessoal.
Contratos para poda preventiva
Para reduzir riscos durante tempestades, a Secretaria de Infraestrutura planeja firmar novos contratos de poda de árvores em todas as regiões urbanas. O objetivo é prevenir a queda de galhos e troncos que possam bloquear vias, danificar fiações ou colocar pedestres em perigo. Miglioli não mencionou valores, mas adiantou que os editais estão em preparação.
Programa de recapeamento de R$ 45 milhões
Outro eixo de atuação citado pelo secretário é o programa de recapeamento asfáltico, orçado em aproximadamente R$ 45 milhões. O processo licitatório encontra-se na etapa final e a expectativa da pasta é assinar os contratos até o fim de abril. O pacote prevê sete frentes de serviço, cada uma abrangendo setores específicos da cidade, com possibilidade de prorrogação por até dez anos.
Conforme Miglioli, a estratégia é aumentar a vida útil do pavimento e reduzir a necessidade de intervenções emergenciais, otimizando os recursos aplicados em manutenção. A Secretaria avalia que, com obras de recape mais robustas, será possível direcionar equipes de tapa-buraco apenas para ocorrências pontuais, liberando mão de obra para outras demandas.
Impacto financeiro e social
Os custos associados ao despejo clandestino somam-se às despesas com consertos de vias danificadas pela chuva, resultando em pressão sobre o orçamento municipal. Cada tonelada de resíduo despejada irregularmente e, posteriormente, recolhida pela Prefeitura gera cobrança no aterro. Além disso, o deslocamento de equipes e equipamentos para pontos de descarte eleva o consumo de combustível e horas-trabalho.
O secretário reforçou que a continuidade do descarte ilegal não apenas causa prejuízo financeiro, mas também agrava problemas ambientais, afeta a imagem da cidade e aumenta a probabilidade de proliferação de vetores de doenças. Ele defende maior conscientização da população e adoção de medidas de fiscalização para coibir a prática.
Próximos passos da administração
Para enfrentar os desafios, a Secretaria de Infraestrutura pretende intensificar operações de limpeza, ampliar contratos de poda e acelerar o recapeamento. Paralelamente, a pasta acompanha o andamento do inquérito sobre a jazida utilizada para resíduos de varrição, buscando regularizar eventuais pendências apontadas pelo Ministério Público.
Com a combinação de ações de curto e médio prazos, o município busca evitar um colapso nos serviços de coleta de entulho e garantir condições adequadas de tráfego nas principais vias de Campo Grande, mesmo diante da previsão de continuidade das chuvas nos próximos meses.








