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Campo Grande concentra mais da metade das denúncias de violência contra a mulher registradas em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul contabilizou 2.010 denúncias de violência contra a mulher por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que resultaram em 9.468 registros de agressões ao longo do período analisado. Campo Grande aparece como o principal ponto de ocorrência, reunindo 54,8% das queixas estaduais e respondendo por 5.516 atos violentos, o equivalente a 58,2% de todos os casos apurados no estado.

Os dados, divulgados pelo Ministério das Mulheres, indicam que a residência continua sendo o ambiente mais perigoso para as vítimas. Em 44,6% das denúncias, o crime ocorreu no próprio lar. Esse percentual sobe para 75,3% quando vítima e agressor compartilham a mesma casa, cenário que soma 1.515 comunicados oficiais concentrados em espaço privado. Já as agressões em vias públicas e no ambiente de trabalho representam, juntas, menos de 4% dos atendimentos registrados, sugerindo que a violência doméstica permanece como principal desafio para a rede de proteção.

A análise sobre o perfil dos autores aponta os homens como responsáveis por 81,3% das violações, totalizando 1.635 ocorrências. As mulheres figuram como agressoras em 13,2% dos relatos, enquanto o percentual restante refere-se a situações não especificadas ou sem identificação clara de gênero na denúncia.

Em relação ao vínculo afetivo, ex-companheiros lideram a lista de suspeitos. Eles respondem por 16,8% dos casos, seguidos pelos atuais parceiros, que concentram 13,5% das agressões reportadas. Outros vínculos familiares, amizades ou relações de convívio compõem o restante do quadro.

Quanto à frequência da violência, 35,1% das mulheres declararam sofrer agressões diariamente, fator que impõe sobrecarga física e psicológica contínua às vítimas. Nos demais registros, a periodicidade varia entre ações semanais, mensais ou eventuais, mas ainda assim demonstra alto grau de reincidência.

Mesmo diante do medo, muitas mulheres assumem a iniciativa de denunciar. Em todo Mato Grosso do Sul, 57,2% das comunicações partiram da própria vítima. O restante se divide entre denúncias anônimas e relatos feitos por familiares, vizinhos ou outras pessoas – grupo que soma 42,8% das ligações. Em Campo Grande, o protagonismo feminino é ainda maior: 62,7% dos registros na Capital foram realizados diretamente pelas mulheres agredidas.

O levantamento também detalhou a dinâmica temporal dos casos na capital sul-mato-grossense. A média mensal ultrapassa 100 registros, com picos concentrados nos meses de outubro e janeiro. Embora o estudo não apresente motivos específicos para essa variação, a tendência reforça a necessidade de campanhas permanentes de prevenção e canais de acolhimento em períodos de maior incidência.

Serviço de atendimento

O Ligue 180 é um serviço gratuito, disponível 24 horas por dia, que orienta as mulheres sobre direitos, legislação e unidades especializadas, como a Casa da Mulher Brasileira e Delegacias de Atendimento à Mulher. O contato pode ser feito pelo telefone 180 ou pelo WhatsApp no número (61) 9610-0180. Em situações de risco iminente, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Os dados do Ministério das Mulheres reforçam a importância da continuidade de políticas públicas direcionadas à segurança doméstica e ao fortalecimento da rede de acolhimento, especialmente em Campo Grande, onde mais da metade dos casos do estado se concentram. A vigilância sobre a reincidência, o apoio às vítimas e a responsabilização dos agressores permanecem como eixos centrais nas ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul.