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Prefeitura de Campo Grande avalia impacto econômico da COP15 e de outros eventos na rede hoteleira

A Prefeitura de Campo Grande iniciou, nesta semana, um levantamento inédito para medir o reflexo dos principais eventos realizados em março sobre a economia local, com destaque para o Exercício Cooperación XI e a COP15. A ação é conduzida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), por meio da Gerência de Turismo, e tem como foco central a rede hoteleira da capital sul-mato-grossense.

Segundo a Semades, o estudo pretende mapear a taxa de ocupação dos meios de hospedagem, o fluxo de visitantes e os impactos diretos em setores como comércio, gastronomia e prestação de serviços. A coleta de dados ocorre diretamente junto aos hotéis, que informam índices de hospedagem, perfil dos hóspedes e duração média das estadas durante o período em que ocorreram os dois grandes encontros.

O calendário de março foi considerado estratégico para a pesquisa por reunir eventos de portes distintos, mas ambos capazes de atrair público externo expressivo. O Exercício Cooperación XI mobiliza delegações militares e equipes de apoio de diferentes países, enquanto a 15ª edição da Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP15) reúne autoridades, especialistas e representantes de organizações da sociedade civil em debates ambientais globais. A administração municipal avalia que os dois compromissos representam amostras relevantes para aferir o alcance do chamado turismo de eventos.

Ao detalhar a iniciativa, a Semades informou que as informações serão compiladas e tratadas estatisticamente para indicar não apenas o volume de turistas, mas também a circulação de recursos financeiros na cidade. Entre os indicadores monitorados estão gastos médios em alimentação, uso de transportes, contratação de serviços e compras no comércio varejista. Esses dados permitirão dimensionar quanto o município arrecada direta ou indiretamente quando recebe encontros de médio e grande porte.

Experiências de capitais brasileiras que já realizam esse tipo de mensuração indicam o turismo de eventos como vetor relevante de desenvolvimento econômico. A partir dessas referências, a administração de Campo Grande busca adaptar metodologias e criar uma base de dados própria, capaz de orientar políticas públicas voltadas à atração de novos congressos, feiras e seminários, além de planejar investimentos em infraestrutura turística.

Para Vera Bacchi, secretária-adjunta da Semades, o levantamento possibilitará decisões mais precisas. De acordo com a gestora, trabalhar com informações concretas sobre perfil e comportamento dos visitantes é fundamental para identificar gargalos, direcionar ações promocionais e qualificar a oferta de serviços. A expectativa é que resultados consolidados auxiliem tanto o poder público quanto o setor privado na definição de estratégias que fortaleçam a imagem de Campo Grande como destino competitivo nesse segmento.

Após a conclusão do estudo, prevista para as próximas semanas, a Semades divulgará os resultados em plataformas institucionais e apresentará os números a empresários, investidores e demais interessados. O compromisso de transparência, segundo a pasta, pretende facilitar o acesso às informações e estimular a participação da cadeia produtiva do turismo em novos projetos ou parcerias.

A análise também deverá apontar variações sazonais na ocupação hoteleira e identificar oportunidades de expansão para empreendimentos de hospedagem. Caso seja constatado aumento significativo na demanda, a prefeitura pretende discutir com o setor formas de ampliar a capacidade instalada sem comprometer a sustentabilidade urbana, considerando aspectos como mobilidade, gestão de resíduos e preservação ambiental.

Outro objetivo é verificar o efeito multiplicador do turismo de eventos sobre o emprego e a renda local. Estabelecimentos de alimentação, agências de receptivo, empresas de transporte e espaços de entretenimento costumam registrar elevação no faturamento quando a cidade sedia encontros de grande porte. Com dados consolidados, será possível estimar o número de postos de trabalho gerados temporária ou permanentemente nessas ocasiões.

Embora o foco atual seja o mês de março, a Semades avalia estender a metodologia a outros períodos do ano, construindo um painel contínuo de monitoramento. A adoção de indicadores padronizados permitirá comparações entre diferentes eventos e acompanhará a evolução do setor em longo prazo. Dessa forma, gestores municipais pretendem alinhar ações de marketing, qualificação profissional e incentivo fiscal às necessidades reveladas pelos levantamentos.

O estudo integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável de Campo Grande. Ao reunir as áreas de meio ambiente, gestão urbana e turismo em um mesmo órgão, a prefeitura busca sinergia entre preservação de recursos naturais, ordenamento do território e geração de receitas a partir da atividade turística. A medição do impacto de eventos, segundo o município, reforça esse modelo integrado de planejamento.

Com a conclusão do levantamento e a divulgação dos resultados, a administração municipal espera consolidar um banco de dados que oriente futuras candidaturas da capital para receber congressos nacionais e internacionais. A expectativa é que informações precisas sobre capacidade hoteleira, potencial de consumo e infraestrutura urbana sirvam de argumento para atrair novos organizadores e, consequentemente, ampliar a movimentação econômica ligada ao turismo de eventos.

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